Anefac: Caixa não deveria aumentar juros

Para o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, o aumento nas taxas de juros dos financiamentos habitacionais promovido pela Caixa Econômica Federal (CEF) foi uma estratégia de equiparar-se com os já cobrados pelo mercado. Os juros da Caixa passaram de 10,5% ao ano, para 12%, a mesma taxa cobrada pelas instituições privadas.Para ele, a Caixa não deveria aumentar os juros. "Talvez fosse mais interessante limitar o valor do imóvel a ser financiado", comenta. Nos prazos mais comuns de financiamentos, o acréscimo, segundo estudos da Anefac, terá as seguintes proporções: para financiamentos de 80% meses, o aumento será de 3,52%; para os de 120 meses, 4,65%; já os de 180 meses terão acréscimo de 5,8%."O argumento da Caixa de que está precisando de recursos para repor o caixa dos financiamentos é válido", concorda o vice-presidente da Anefac. "Mas aumentar a taxa no momento em que o governo está anunciando um maior controle dos juros não é a medida mais adequada", justifica. Oliveira acredita que as medidas da Caixa não serão suficientes para recompor os saldos. "As pessoas não terão mais porque pegar crédito da Caixa, pois se os juros são iguais aos do mercado, não existe concorrência", explica.Para ele, provavelmente, o mercado se aquecerá quando os bancos passarem a ter mais crédito que procura, pois daí, o interessado no financiamento imobiliário poderá encontrar ofertas mais atraentes. No sistema de financiamento Sacre, usado pela CEF, quem pagava uma prestação de R$ 749,60, com juros de 10,5% ao ano, mais a TR, passa agora a gastar mensalmente R$ 815,15. Esses valores correspondem a um financiamento de R$ 50 mil no período de 180 meses.

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