Anefac: juros do comércio estáveis

A pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) do mês de outubro mostrou que a taxa de juros do comércio ficou em 6,93% ao mês, equivalente a 123,46% ao ano, sem variação em relação ao mês passado. Esta taxa elevada chama atenção na comparação com a taxa do Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP (IPC-Fipe) registrada em outubro, de apenas 0,01%. A Anefac apurou que a variação percentual entre o IPC-Fipe e a taxa mensal de juros média do comércio é de 69.200%. No mês passado a variação foi 2.466,67%. Para a Associação, a mentalidade inflacionária dos empresários explicaria tais taxas praticadas perante uma economia estabilizada, na qual os financiamentos passaram a ser a finalidade do negócio e não um meio de impulsionar as vendas. A conseqüência perversa gerada pelas altas taxas de juros seria a inadimplência. Por outro lado, os comerciantes alegam que a inadimplência os levaria a praticar estas taxas para se garantirem dos riscos corridos. No levantamento realizado nas lojas junto aos consumidores entre os 654 entrevistados, 95% entram num financiamento sem saber qual a taxa embutida, preocupando-se somente com o valor da prestação. A pergunta decisiva acaba sendo se ela se encaixa no orçamento doméstico. Cerca de 25% dos consumidores até antecipam o pagamento de suas prestações sem solicitar abatimento proporcional dos juros incorporados. Esse é um direito garantido ao consumidor pelo artigo 52 do Código de Defesa do Consumidor.Os setores do comércio que continuam liderando os abusos no mês de outubro são as agências de turismo, lojas de artigos de informática, loja de artigos e aparelhos celulares e agências de veículos. O Estado de São Paulo e o Distrito Federal possuem as menores taxas médias de juros do comércio (6,82%), e o Rio Grande do Sul permanece com a mais elevada taxa, de 7,07% ao mês.A Anefac recomenda ao consumidor evitar dívidas, crediários, utilização do rotativo do cartão de crédito ou do cheque especial. Porém, se isso for inevitável e houver a possibilidade, recorra ao penhor de jóias da Caixa Econômica Federal (taxa de 2,8% ao mês). Caso contrário, não deixe a dívida aumentar mais e procure o credor e renegocie o prazo e a taxa de juros. Pesquisar bastante é importante pois muitas empresas não alteraram suas taxas de juros após a queda da taxa básica e da redução do compulsório. E por último, adie as compras à prazo para que o mercado ajuste a taxa.

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