Anefac: mercado não repassou queda da Selic

A pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) do mês de outubro aponta que, apesar deste mês registrar a menor taxa de juros nominal do Plano Real, a redução da taxa básica de juros (Selic) não foi repassada ao consumidor.A variação percentual entre a taxa Selic e os juros do crediário no início do Plano Real era de 361,15% e a mesma variação para o mês de outubro é de 411,41%. Ou seja, esta queda não se refletiu em taxas menores ao consumidor. Os empresários alegam que as taxas são altas devido à inadimplência. Contudo, segundo a Anefac, são as taxas abusivas pagas pelo consumidor que têm como conseqüência a inadimplência. No mês de outubro, a taxa média de juros cobrada dos consumidores permaneceu em 7,77% ao mês ou 145,46% ao ano, o que significa uma taxa real de juros de 139,16%, se considerarmos a expectativa do Banco Central sobre a variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 6,3% para este ano. Para a pessoa jurídica, a taxa mensal é de 3,12% ou 44,58% ao ano.Taxa de juros de acordo com o períodoA Anefac fez o levantamento dos juros médios por prazo de financiamento. Para o pagamento em seis vezes, o comércio está cobrando, em média, 80% ao ano; e, para prazos superiores a 18 vezes, 150,42% ao ano. Segundo a Associação, o comércio, poucas vezes na história, teve tantos ganhos financeiros quanto o que estão conseguindo atualmente. O relatório mostra também que 95% dos 654 consumidores entrevistados entram num financiamento sem saber qual a taxa embutida, se esta é alta ou não. Preocupam-se somente com o valor da prestação e se ela cabe ou não em seu orçamento. Com isso, a tendência é que a queda da taxa de juros seja ainda mais lenta.

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