Anefac refaz previsões e espera alta do juro bancário em 2008

Bancos deverão repassar ao custo do crédito e das tarifas parte do aumento da CSLL do setor financeiro

Silvia Fregoni, da Agência Estado, Agencia Estado

15 de janeiro de 2008 | 12h20

A queda dos juros ao consumidor, que deveria ter sido impulsionada pelo gradativo recuo da taxa básica de juros (Selic), aconteceu de forma muito lenta em 2007 e, neste ano, deve ser interrompida. Pior do que isso: o juro bancário deve começar a subir neste ano. Isso porque, de acordo com o vice-presidente da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, os bancos deverão repassar ao custo do crédito e das tarifas de serviços parte do aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do setor financeiro, promovido pelo governo em janeiro. Veja também: Taxa de empréstimo tem maior alta desde fevereiro de 2007Perfil de crédito mostra inadimplência em leve baixaAtendimento dos bancos lidera lista de queixas no BC De fato, o juro ao consumidor já começou a subir. Nesta segunda-feira, 14, a Fundação Procon-SP divulgou que a taxa média cobrada para empréstimo pessoal está em 5,36% ao mês, um aumento de 0,09 ponto porcentual, a alta mais importante desde fevereiro de 2007.  Para Oliveira, essa tendência deve continuar. "Provavelmente para compensar essa tributação maior, as instituições deverão repassar parte do custo às taxas de juros ou aos preços de seus serviços, via tarifas bancárias", afirma. Oliveira mudou a avaliação que fez há 30 dias de que 2008 seria um ano de reduções dos juros cobrados nas operações de crédito. "Dois fatores novos levam à cautela nas projeções, pois deverão até contribuir para elevação dos juros ao consumidor", afirma, referindo-se ao pacote fiscal anunciado pelo governo, que elevou a CSLL do setor financeiro e o Imposto sobre as Operações Financeiras (IOF). No caso do IOF, a elevação da alíquota incide diretamente na operação de crédito - o banco cobra do cliente e repassa ao governo. Esse aumento já fará com que as taxas efetivas de juros - taxas de juros e demais acréscimos - sejam elevadas, segundo o executivo. Juro básico Para Oliveira, por conta da divulgação dos últimos dados sobre inflação, o Banco Central deverá ser mais conservador nas próximas reuniões sobre juros, o que deverá fazer com que a Selic permaneça inalterada por um período mais longo. Ele acredita que novas reduções deverão ocorrer somente no segundo semestre de 2008. "Se não houver surpresas muito negativas no cenário externo, a Selic deverá fechar 2008 em patamares próximos de 10%", diz. Apesar disso, a Anefac projeta expansão de 25% para o volume de crédito neste ano. De acordo com a entidade, os destaques deverão ser as linhas para financiamento habitacional, financiamento de veículos e o crédito consignado, devido ao menor risco de inadimplência por conta da garantia dos bens financiados e dos salários. "Nossas projeções indicam que ao final de 2008 o volume total de crédito, que hoje se encontra em R$ 880,80 bilhões (34,3% do PIB), será de R$ 1,15 trilhão, o que corresponde a 40% do PIB." Desde que começou a ser reduzida pelo Banco Central em setembro de 2005, a Selic acumula uma redução de 8,50 pontos percentuais (queda de 43,04%) até o final do ano passado, saindo de 19,75% para 11,25% ao ano. Para se ter uma idéia, no mesmo intervalo, a taxa de juros média para pessoa física caiu 11,31 pontos percentuais (queda de 8,01%), segundo a Anefac, passando de 141,12% ao ano em setembro de 2005 para 129,81% ao ano em dezembro de 2007. Nas operações de crédito para pessoa jurídica, a queda atingiu 7,20 pontos percentuais (-10,55%) e a taxa passou de 68,23% para 61,03% ao ano. Resultado de dezembro No final de 2007, a Anefac apurou que os juros ao consumidor ainda estavam caindo, com exceção da taxa do cartão de crédito rotativo, que se manteve inalterada. Nas operações de crédito para pessoa física, tiveram queda em dezembro, em relação ao mês anterior, as taxas de juros do comércio (5,93% ao mês); cheque especial (7,61%); CDC-bancos-financiamento de veículos (2,92%); empréstimo pessoal-bancos (5,21%); e empréstimo pessoal-financeira (11,07%). Já a linha do cartão de crédito rotativo se manteve estável, em 10,34% ao mês. A taxa de juros média geral para pessoa física apresentou uma redução de 0,05 pontos percentual no mês (1,29 ponto percentual no ano), passando de 7,23% ao mês (131,10% ao ano) em novembro de 2007 para 7,21% ao mês (129,81% ao ano) em dezembro. A taxa de dezembro é a menor taxa de juros média da série histórica. Nas operações de crédito para pessoa jurídica, todas as linhas de crédito pesquisadas apresentaram redução: capital de giro (3,83% ao mês); desconto de duplicatas (3,36%); desconto de cheques (3,65%); e conta garantida (5,35%). A taxa de juros média geral para pessoa jurídica caiu 0,05 ponto percentual no mês (0,93 ponto percentual em 12 meses), passando de 4,10% ao mês (61,96% ao ano) em novembro para 4,05% ao mês (61,03% ao ano) em dezembro do ano passado, sendo esta a menor taxa de juros média desde abril de 2001.

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