Anfavea: alta da Selic não afetará vendas de veículos

No dia em que o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) pode anunciar um aumento da taxa básica de juros, a Selic, o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, afirmou hoje que um eventual aumento de 0,25 ponto porcentual não deve afetar diretamente as vendas de veículos. Atualmente, a Selic está em 11,25% ao ano. Ele alertou, porém, para um efeito indireto que a alta de juros pode trazer para o setor automobilístico. "O aumento da diferença ente os juros internos e externos pode provocar uma atração de mais dólares para o Brasil e refletir na taxa de câmbio, que interessa às nossas exportações. Daí a necessidade de as autoridades ficarem atentas para corrigir esta taxa de arbitragem, que pode afetar até de forma artificial a taxa de câmbio".Schneider afirmou que o setor automotivo está "tranqüilo" quanto ao abastecimento interno de veículos e também quanto a um efeito reduzido dos automóveis na composição da inflação brasileira. Ele disse ainda que não conversou com o ministro sobre a política industrial que está em estudos no governo. Porém, Schneider comentou que o setor aguarda com "expectativa positiva" o anúncio de medidas que pretendem incentivar exportações e desonerar investimentos. GreveO presidente da Anfavea disse também que a greve dos auditores fiscais da Receita Federal está prejudicando bastante o setor automotivo tanto em relação às importações quanto em relação às exportações. Segundo ele, esse foi o principal tema da reunião realizada esta manhã com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Miguel Jorge, e representantes da indústria de autopeças.Schneider afirmou que foi colocado ao ministro que as dificuldades para a liberação de cargas importadas podem colocar em risco as linhas de produção nacionais e voltar para o exterior, que dependem da produção brasileira de veículos. "Estamos muito preocupados com o risco de parada dessas linhas de produção e com o risco de perda de contratos de longo prazo. Há mercados externos que não vão ficar nos esperando e vão acabar buscando produtos em outros lugares", afirmou. Segundo Schneider, o ministro Miguel Jorge entendeu a situação e disse que vai encaminhar o relato a outros órgãos de governo.

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