Anfavea apresenta preocupação com câmbio em reunião com Furlan

Diretores da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) apresentaram hoje apreensão com a depreciação do real frente ao dólar e os efeitos sobre as exportações do setor. Estas preocupações foram apresentadas ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, durante reunião, com duração de mais de uma hora, realizada no escritório do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em São Paulo.De acordo com o presidente da Anfavea, Rogelio Golfarb, algumas empresas do setor automotivo tiveram reduções nas suas programações de exportação por conta do real valorizado ante o dólar. "A gente entende ser uma questão estrutural, não algo que possamos resolver do dia para a noite, mas isso (a questão cambial) nos preocupa", complementou.Segundo Golfarb, Furlan e os dirigentes da Anfavea concordaram que o momento exige paciência dos empresários para aguardar os efeitos sobre mercado de câmbio a serem provocados pelo processo de redução dos juros pelo Banco Central, iniciado no mês passado. Segundo ele, durante este período, será preciso "trabalhar nas equações de custo das empresas". Ele não quis detalhar quais seriam estas equações.Projeções de exportaçãoMesmo com os temores relacionados à política cambial, Golfarb declarou que a Anfavea mantém a projeção de exportações do setor para o ano em US$ 10,8 bilhões, um crescimento de cerca de 29%, em comparação ao ano anterior.Ele também manteve a expectativa de que a produção de veículos no País atingirá, este ano, 2,45 milhões de unidades - um recorde - e que a comercialização no mercado interno deverá ser 5% maior do que em 2004, atingindo 1,66 milhão de unidades. Para o próximo ano, as expectativas da Anfavea não são otimistas, apesar de os números ainda não terem sido calculados.MP do Bem e substituição da frotaOs diretores da Anfavea apresentaram preocupação também com a aprovação no Congresso Nacional da medida provisória de desoneração tributária para investimentos, a chamada MP do Bem. Por não ter sido votada em tempo hábil na Câmara dos Deputados, a MP do Bem foi rejeitada e, neste momento, o governo federal tenta inserir seu conteúdo em outra medida provisória em tramitação na Casa.Durante o encontro, a direção da Anfavea também tratou com o ministro sobre a necessidade de renovação da frota rodoviária do País. No domingo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participará da abertura da Fenatran, maior feira da América Latina no setor de transportes rodoviários, e eles querem aproveitar a oportunidade para cobrar do governo uma nova política de substituição da frota de caminhões, cuja idade média está entre 15 e 18 anos, considerada antiga por especialistas. A avaliação dos empresários é de que o programa atual de substituição desta frota, o Modercarga, teve até o momento resultados tímidos.

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