Carlos Junior/Estadão
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Fabricantes de autopeças defendem crédito mais barato para o setor

Bancos públicos podem oferecer financiamento; segundo presidente da associação, ideia é que a medida seja adotada o mais rápido possível, já que a indústria está em situação mais delicada que as próprias montadoras

André Ítalo Rocha, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2016 | 21h06

SÃO PAULO - Sem a mesma capacidade das montadoras para suportar a queda na venda de veículos, as fabricantes de autopeças poderão ter uma atenção especial dos bancos públicos brasileiros, com a concessão de crédito mais barato para financiar capital de giro, disse o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Megale.

Segundo ele, a ideia é que a medida seja adotada o mais rápido possível, uma vez que a indústria de autopeças encontra-se em situação mais delicada que as próprias montadoras. A proposta, de acordo com Megale, está em fase de elaboração e está sendo feita em parceria com o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes de Veículos Automotores (Sindipeças), para ser apresentada ao governo e aos bancos.

“Como os juros estão muito elevados, o dinheiro é muito caro, então é duro para você custear o capital de giro com juros muito elevados”, disse o presidente da Anfavea, em referência às fabricantes de autopeças. Ele ressaltou que o cenário se torna ainda mais complicado porque a demanda é baixa e dificulta o repasse de aumentos de custo ao preço.

Inovar Auto. Em paralelo a isso, a Anfavea negocia com o governo a implementação de uma nova política industrial para o setor automotivo, que substituiria o Inovar Auto a partir de 2018 e contaria com regras que dessem uma maior proteção à indústria de autopeças.

Segundo Megale, o Inovar Auto já conta com regras de incentivo ao segmento, como a exigência de que as montadoras comprem peças de empresas brasileiras, “mas que têm sido insuficientes para deixar a indústria (de autopeças) suficientemente robusta e saudável para fazer frente à queda de mercado”, afirmou.

Segundo o Sindipeças, 26 empresas entraram com pedidos de recuperação judicial no primeiro semestre deste ano, o maior número para o período da história do segmento no Brasil. Montadoras como Volkswagen e Fiat chegaram a interromper a produção por atrasos no fornecimento de peças. 

De acordo com o presidente da Anfavea, na nova política industrial que vem sendo discutida com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) , as fabricantes de autopeças também poderão contar com o auxílio de consultorias especializadas em gestão.

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