Anfavea descarta confronto em nova negociação sobre aço

As indústrias consumidoras de aço terão no fim do mês em Brasília mais uma reunião com as siderúrgicas para discutir o aumento do preço do aço. O encontro terá a mediação do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, que participou no dia 1º das discussões entre 10 segmentos da indústria com as siderúrgicas. O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Rogelio Golfarb, declarou hoje, em São Paulo, que as indústrias defendem a negociação, e não o confronto. O papel do governo, frisou o dirigente, está sendo de promover a discussão.Golfarb queixou-se de o aço aumentou em média 100% entre janeiro de 2002 e maio de 2004. "Isso pressiona os preços dos produtos e diminui a competitividade da indústria no mercado interno e também as exportações." As montadoras e outros setores (máquinas, construção, eletroeletrônicos, autopeças, linha branca e outros) querem que as siderúrgicas parem de repassar ao mercado interno os altos preços do aço no mercado internacional, puxados pela demanda na China. "Também queremos que as siderúrgicas diminuam o preço quando a demanda no Exterior cair."Números do setorSegundo a Anfavea, o preço do aço subiu 86% entre janeiro de 2002 e abril de 2004 e, em maio, houve novo aumento de 12% a 15%, em média. Os preços de tabela dos veículos tiveram reajuste de 41% de janeiro de 2002 a abril de 2004 e, em maio, avançaram cerca de 10%. "Há, portanto, um grande descompasso", disse Golfarb.As siderúrgicas informam que a indústria brasileira não paga, em dólar, o mesmo preço do aço cobrado no mercado internacional atualmente. Golfarb admitiu que, na média, o valor aqui ainda é menor, mas fez a ressalva de que há mudança conforme o tipo e especificação do produto. "No caso do aço galvanizado, por exemplo, estamos pagando praticamente o mesmo preço que lá fora."Segundo ele, a redução do Imposto de Importação do aço (de cerca de 15%) seria uma alternativa para permitir às empresas trazer o produto de fora. Mas, de acordo o dirigente, não se trata da melhor saída. Ao imposto, seria acrescido o custo de 15% de logística. Com tudo somado, a importação acabaria saindo 30% mais cara do que a compra do produto no mercado interno.

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