Anfavea evita comentar sobre prorrogação do IPI menor

'Por incrível que pareça ainda não chegamos a conversar sobre isso com o governo', afirmou Schneider

Célia Froufe, da Agência Estado,

18 de junho de 2009 | 18h51

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, disse nesta quinta-feira, 18, que não especulará a respeito da possibilidade de prorrogação da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os automóveis novos. "Por incrível que pareça ainda não chegamos a conversar sobre isso com o governo, mas as notícias são de não renovação", afirmou ao sair do Palácio do Alvorada, onde esteve reunido com ministros e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o balanço anual do programa "Mais Alimentos" do Ministério do Desenvolvimento Agrário.

 

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Sem querer fazer prognósticos preciso, Schneider comentou que se o IPI voltar a ser aplicado haverá queda nas vendas de veículos. "Claro que terá efeito no mercado", disse. De acordo com ele, nestes últimos dias que antecedem a isenção de IPI sobre veículos (a medida vale até 30 de junho) os revendedores têm feito promoções porque há antecipação de compra por parte do consumidor. "A isenção do IPI foi de alta relevância para o nosso mercado e fundamental para a indústria reaquecer o ritmo de vendas principalmente após o final do ano passado", argumentou, acrescentando que as vendas de dezembro de 2008 foram praticamente metade das realizadas em setembro do ano passado.

Exportações e câmbio

O presidente da Anfavea afirmou que, não bastasse o encolhimento do mercado internacional por conta da crise financeira, o câmbio doméstico torna o produto brasileiro menos atraente para a venda, dificultando as exportações. As vendas de carros para o mercado externo já encolheram 50%, disse Schneider, sem explicitar o período em que isso aconteceu. As importações, por outro lado, apesar de terem diminuído, ainda têm fatia de 13% do comércio brasileiro. Na avaliação de Schneider, esse é um bom momento para analisar a cadeia produtiva de forma estrutural e identificar eventuais gargalos. "No ano passado, batemos à porta de quase um milhão de carros exportados", comentou.

Segundo ele, representantes da cadeia automotiva se reuniram com técnicos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior há aproximadamente um mês para avaliar o mercado e outro encontro deve ser feito em breve. "No curto prazo, os mercados externos não vão voltar, mas quando isso ocorrer haverá outros produtores de veículos. A indústria chinesa, por exemplo, deve vir bastante forte", previu.

Sobre o mercado interno, Schneider comentou que os programas do governo incluíram, nos últimos anos, de 20 milhões a 30 milhões de pessoas à classe C, ampliando a possibilidade de consumo de veículos. Mesmo assim, segundo ele, o Brasil não atingiu o ponto de equilíbrio entre veículos e população na maior parte das cidades. Pelos cálculos da Anfavea, a relação brasileira é de oito pessoas para cada carro, enquanto, na Argentina, é de cinco para um. Schneider comentou também que, na Europa, essa relação é de 2,3 por carro e, nos Estados Unidos, de 1,5. "Não vamos atingir este nível, mas dá para chegarmos próximos da Argentina", comentou. Questionado a respeito de qual prazo para atingirmos o número argentino, ele respondeu que isso dependerá do ciclo econômico e de consumo.

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