Anfavea não prevê alívio para montadoras com corte da Selic

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) , Ricardo Carvalho, acredita que a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a Selic, a taxa básica de juros da economia, de 26,5% para 26% ao ano é uma sinalização positiva. Carvalho esperava uma queda maior, de até dois pontos. Mas não se mostrou muito decepcionado. "De qualquer forma, é uma baixa; pode sinalizar que há uma tendência de queda dos juros no futuro", disse, acrescentando que a preocupação em baixar a inflação é necessária. Ele afirmou que essa ligeira queda na Selic não vai aliviar as montadoras nem ajudar a baixar os altos estoques. "As empresas estão no limite da sua capacidade para fazer promoções de venda; há uma preocupação neste momento de dimensionar os estoques através da adoção de férias coletivas", declarou. No dia 5 deste mês, a Anfavea reviu sua projeção de comercializar 1,5 milhão de veículos no País para 1,4 milhão de unidades, 5% menor que o registrado em 2002. As vendas no primeiro trimestre foram as piores nos últimos 10 anos. Carvalho afirmou que a indústria prossegue as conversas com o setor de autopeças e com as concessionárias na busca de soluções para a retração do mercado. Ele declarou, no entanto, que, por enquanto, não há intenção de ir a Brasília propor um plano emergencial para o setor automotivo. "Estamos num quadro dinâmico de debates, mas não há nenhuma reunião com o governo agendada". Carvalho lembrou que as montadoras têm margens baixas de lucro por causa da enorme competitividade do setor e têm limites para baixar os preços. Em novembro, haverá o dissídio dos metalúrgicos, o que deve pressionar mais os custos.

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