Anfavea prevê acomodação das vendas no 2º semestre

A indústria automotiva brasileira teve seu melhor semestre da história em termos de venda e de produção, mas o ritmo de crescimento deve sofrer uma acomodação na segunda metade deste ano. A previsão é do presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, que considera a perspectiva "extremamente positiva" para a indústria como um todo. "O crescimento continuará existindo e continuará a ser impulsionado pelo ritmo de expansão da economia de modo geral, atraindo investimentos em capacidade de produção, produtos e tecnologia", disse. "Mas numa cadência mais adequada, na ordem de 10% a 15% (ao ano)", acrescentou. De acordo com Schneider, o ritmo de crescimento da indústria automotiva foi de 25% a 30% no primeiro semestre deste ano.Essa acomodação nas vendas e na produção é vista por Schneider como natural. Na avaliação dele, é melhor que o setor cresça de forma mais consistente no longo prazo do que sofra saltos no curto prazo. "Isso é extremamente positivo, até porque permite um planejamento mais estruturado para um crescimento de longo prazo, sem sustos, e uma acomodação mais natural na cadeia produtiva, que é extremamente complexa", declarou.De acordo com Schneider, o aumento dos preços das matérias-primas, principalmente do aço, que deve sofrer um terceiro reajuste em menos de seis meses, é uma grande preocupação para as empresas. "A pressão de custos está se tornando muito forte", disse. O dirigente lembrou que a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 12 meses (período encerrado em maio) foi de 5,28%, enquanto a inflação dos automóveis, medida pelo mesmo índice no mesmo período, ficou em 2,47%. "Mas o repasse dos custos ao consumidor é uma decisão que cabe a cada montadora."A Anfavea apresentou também a posição do Brasil em termos de produção e vendas no mercado mundial. Em 2007, o Brasil foi o sétimo maior produtor de veículos, atrás da França, Coréia do Sul, Alemanha, China, EUA e Japão, o primeiro colocado. Até o final de 2008, o Brasil deve superar a França e tornar-se o sexto maior produtor de veículos do mundo. Em vendas, o Brasil é hoje oitavo colocado, atrás de França, Itália, Reino Unido, Alemanha, Japão, China e EUA, na liderança, e deve encerrar o ano na quinta colocação.

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