Anfavea prevê queda nas vendas com fim do IPI reduzido

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, prevê que as vendas de veículos novos no País devem ser menores em julho. Isso porque, segundo ele, a Anfavea está contando com o fim do incentivo do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido para carros novos. O atual benefício fiscal vigora até 30 de junho.

MICHELLY TEIXEIRA, Agencia Estado

04 de junho de 2009 | 16h42

Além de uma antecipação de compras em junho, o que aumenta a base de comparação com julho, a Anfavea pressupõe que no próximo mês haja um declínio nas vendas por efeito do término do benefício fiscal. O dirigente diz que a Anfavea ainda não formou uma comitiva para negociar nova extensão do prazo do alívio tributário com o governo federal. "É possível que tenhamos reuniões, mas até agora a notícia que temos é a de que a isenção termina em junho", afirmou, completando que não se pode mensurar essa eventual redução nas vendas.

Segundo ele, as projeções fornecidas pela Anfavea no começo do ano para a indústria já contam com a isenção fiscal até o fim de junho, por isso não há razão para novas revisões. "Não fizemos nenhum tipo de exercício para contabilizar uma postergação da isenção do IPI. Até porque ainda não sentamos para discutir isso", afirmou. "Foi muito oportuno esse benefício fiscal, pois a indústria conseguiu escoar os grandes estoques do final do ano e voltar a vender."

Maio

Além da redução do IPI para carros novos, os juros mais baixos e o aumento no volume de crédito estimularam as vendas na indústria automotiva no mês passado, segundo Jackson Schneider.

As vendas de veículos novos, nacionais e importados, somaram 246.978 unidades em maio, alta de 5,4% sobre o resultado de abril e de 2,1% no confronto com maio de 2008. No acumulado do ano (cinco meses), foram comercializadas 1.149.630 unidades no mercado brasileiro, com discreta queda de 0,1%, ante o período de janeiro a maio de 2008. "Este é um ótimo desempenho, considerando que 2008 foi um ano com recorde de vendas de 2.820.347 veículos.

Schneider diz ter percebido que o crédito voltou a irrigar o mercado automobilístico de dois meses para cá. "Com a volta dos bancos de pequeno e médio porte, as grandes instituições financeiras passaram a oferecer prazos mais dilatados", comentou o dirigente. Ainda que o crédito esteja retornando, enfatizou Schneider, está com um "desenho diferente", já que as instituições estão mais seletivas na concessão de recursos.

Dados apresentados hoje pela Anfavea a jornalistas mostram que o estoque de crédito para veículos novos e usados subiu de R$ 145,1 bilhões para R$ 145,4 bilhões entre março e abril, incluindo leasing. Ao mesmo tempo, os juros médios anuais para financiamentos de veículos cederam de 21,4% para 20,8%, conforme dados da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef).

Por outro lado, a taxa de inadimplência (atraso superior a 90 dias) subiu de 5% para 5,2% entre março e abril, porcentual que considera veículos novos e usados. A Anfavea está trabalhando para apresentar, nos próximos estudos, a taxa de inadimplência específica para cada categoria.

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