Anfavea quer mais que dobrar exportações em 5 anos

Meta de novo presidente da associação do setor é elevar vendas anuais de 420 mil para 1 milhão de carros até 2017

CLEIDE SILVA , O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2013 | 02h05

A indústria automobilística brasileira quer vender anualmente 5 milhões de veículos no mercado doméstico até 2017 e exportar cerca de 1 milhão de unidades. No caso das vendas externas, a meta só será possível com um programa de incentivo que foi apresentado ao governo federal ontem, já batizado de Exportar-Auto, uma alusão ao Inovar-Auto, que estabelece metas para melhorar a eficiência dos carros nacionais.

Ao tomar posse oficialmente ontem na presidência da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), para um mandato de três anos, o diretor da General Motors, Luiz Moan, disse que, ao atingir essa meta, "o Brasil voltará a ser uma plataforma de exportação de produtos automotivos". Segundo ele, será um "sinal de que conseguimos de volta a competitividade necessária para o setor".

"Vamos trabalhar juntos para alcançar e até superar essa meta", disse o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, presente à cerimônia.

Moan lembrou que há sete anos o Brasil exportava quase 900 mil veículos para vários mercados. Em 2012, foram 442 mil e, este ano, a projeção é de 420 mil unidades. "No curto prazo queremos estancar a queda das exportações e depois ir crescendo gradualmente até atingir 1 milhão de unidades, o equivalente a cerca de 20% da produção prevista até 2017."

No discurso de posse, na noite de ontem no Clube Monte Líbano, em São Paulo, Moan disse que uma das sugestões para o Exportar-Auto é a desoneração de impostos "não repassáveis ou não compensáveis" embutidos no custo do automóvel.

Antes da cerimônia, ele citou como exemplos o imposto pago sobre as refeições fornecidas aos funcionários e sobre a energia. "Estudo recente mostra que um carro embute 8,8% de imposto não compensável em seu custo." Ao todo, o automóvel brasileiro recolhe em média 30% em impostos diretos. Nos EUA, esse porcentual é de 6% e na Europa varia de 14% a 17%.

"Recuperar a competitividade do carro nacional é uma das principais metas do meu mandato", afirmou Moan. Questionado sobre a contribuição das montadoras no processo de redução de custos, pois constantemente o setor é citado como um dos que mais lucram, o executivo limitou-se a dizer que em breve apresentará estudos mostrando que "essa famosa alta lucratividade não existe".

Investimentos. A indústria brasileira vai investir US$ 30 bilhões no período 2013-2017, em ampliação de capacidade, produtos e inovação. A capacidade produtiva saltará dos atuais 4,5 milhões para 5,6 milhões de veículos ao ano, incluindo as novas montadoras que estão chegando ao País. Vender 5 milhões de unidades somente no mercado interno - somando carros importados - é uma meta sustentável, disse o executivo.

Neste ano, a Anfavea projeta vender quase 4 milhões de veículos, incluindo caminhões e ônibus, 3,5% a 4% mais do que em 2012. "É um crescimento acelerado (até 2017), mas necessário para dar suporte à nova capacidade produtiva e aos investimentos que estão sendo feitos."

Moan ressaltou que a Anfavea desenvolverá programas na área de sustentabilidade, pois a indústria "sabe que é parte do problema ambiental, mas a sociedade vai perceber que também somos parte da solução". Segundo ele, a entidade prepara plano para criar o que chamou de "mobilidade inteligente".

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