Ângela sente falta da família

Ângela Onishi, de 38 anos, mora no Japão desde o início dos anos 90. Separada do marido, ela está no país com dois filhos menores, com a mãe, oito irmãos e sobrinhos. No Brasil, ficaram apenas amigos e familiares de segundo grau, mas nem por isso ela esquece a terra natal. "É bem mais fácil viver no Japão quando se tem a família toda aqui, mas eu penso em voltar ao Brasil assim que tiver dinheiro suficiente, por isso ainda sou dekassegui", afirma.

, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2010 | 00h00

Ela nunca se preocupou em ter o Visto Permanente de Residência, mora em conjunto habitacional do governo, na cidade de Komaki, Estado de Aichi - com aluguel mensal de cerca de R$ 800 - e considera loucura o fato de brasileiros terem assumido dívidas em financiamento imobiliário no Japão.

Veterano. Outro veterano dekassegui no Japão que não quer assumir a condição de imigrante é Paulo Oshima, 48 anos. Faz 21 anos que ele trocou Santa Fé do Sul, no interior de São Paulo, pelo Estado de Gifu.

Nesse período, só voltou ao Brasil duas vezes a passeio e agora faz planos de regresso em definitivo para o ano que vem. "O trabalho e o salário por aqui já não são como antes, e quase não dá para economizar. Então, acho que é hora de voltar", afirma Oshima.

Ele trabalha em uma indústria de autopeças na cidade de Sakahogi e abre mão de qualquer conforto para aumentar suas economias. Não tem carro, se locomove de bicicleta e evita gastos desnecessários.

Mora em um alojamento coletivo - em prédio antigo onde funcionava um hotel que faliu, paga cerca de R$ 600 de aluguel e tarifas de água e luz. Ele diz que não se importa com o inconveniente de usar cozinha coletiva e ter outros 20 apartamentos do antigo hotel ocupados por conterrâneos brasileiros.

"A moradia no Japão tem de ser o mais barata possível, senão fica difícil economizar", acredita Oshima. A cada três anos, ele renova seu Visto de Trabalho na imigração japonesa, e garante que nunca buscou conforto por entender que qualquer comodidade faria com que se acostumasse ao país. "Eu nunca quis ficar preso ao Japão", afirma.

Ainda assim, soma mais de duas décadas em submoradia e enfrentando chuva, sol ou frio pedalando sua bicicleta para ida e volta a serviços sujos, pesados ou perigosos em fábricas japonesas.

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