Anglo American pagou prêmio de 15% sobre capital da MMX

O presidente da MMX, Eike Batista, disse que o prêmio pago pela Anglo American para a aquisição de 49% do capital acionário da companhia foi de 15% sobre as ações negociadas em Bolsa. "Esse foi um fator que influenciou para que aumentássemos o capital vendido", disse, lembrando que anteriormente estavam sendo negociadas 30% das ações. A MMX Mineração e Metalúrgicos S.A. anunciou a venda de 49% do capital da MMX Minas-Rio na segunda-feira. O sistema Minas-Rio é um dos três abrigados na MMX, que agrega ainda os sistemas do Amapá e Corumbá. O valor do negócio chega a US$ 1,15 bilhão.Batista também atribuiu o fechamento do negócio com a Anglo à "empatia" com a companhia. "É um grupo forte, financeiramente, e que deu sustentação aos nossos investimentos no Porto do Açu, que será construído no Norte Fluminense", afirmou em entrevista coletiva realizada há pouco na sede da empresa no Rio.O empresário não descartou a possibilidade de uma parceria com a MMX nos ativos da Anglo na África e nem mesmo a ampliação dos negócios em comum no Brasil. "Não há nada conversado oficialmente ainda, mas todas as possibilidades são estudadas", disse. Por enquanto, pelo que ficou fechado na negociação, o grupo MMX terá participação na exploração das minas em Minas Gerais e Rio, no mineroduto de 500 quilômetros que será construído entre os dois estados, e concederá à Anglo uma pequena participação no porto do Açu. CuiabáA MMX conseguiu derrubar a liminar judicial que a impedia de construir a usina siderúrgica de Cuiabá e retomou na segunda-feira mesmo as obras, informou Batista. As obras estavam paralisadas desde o dia 10 de abril por ordem judicial. O reinício da obra de US$ 150 milhões deverá atrasar um pouco a entrada em operação do primeiro forno, que está com 90% de sua instalação concluída.Segundo o empresário,a data de entrada em operação foi de 31 de maio para 25 de junho. O forno tem capacidade para produção de 200 mil toneladas de ferro-gusa por ano. Um segundo forno, com a mesma capacidade, entrará em operação no final de setembro. "Esperamos que ambos estejam operando com capacidade plena até dezembro", informou Batista.Além dos dois fornos em construção, o estágio da obra hoje inclui o sistema de tratamento da água a ser consumida, que vai ser reaproveitada após resfriamento e tratamento. A unidade também está reflorestando os 38 mil hectares de área para tonar seus fornos auto-suficientes nos próximos anos.LLXO empresário informou também que a MMX vai abrir capital de sua subsidiária para logística, a LLX, dentro de um ano e meio. Segundo ele, já foi composto um grupo com quatro private equity para consolidar os ativos da empresa e fazer sua avaliação para a abertura do capital.Hoje, a LLX tem em sua carteira apenas o investimento de US$ 500 milhões que será feito na construção do terminal portuário do Açu, no Norte Fluminense, que contempla uma área de exportação de minério, construção de termelétrica e ainda plantas siderúrgicas.Além desse ativo, a LLX deverá incorporar também outras três áreas que estão sendo analisadas pelo grupo no Brasil para a construção de novos portos. As negociações, segundo Batista, estão em andamento e "devem ser anunciadas em breve".Ainda segundo o empresário, a LLX também deverá incorporar uma área de 245 mil hectares na costa norte do Chile, hoje pertencente à EBX, holding que comanda a MMX. A área, que tem 45 quilômetros de costa no Oceano Pacífico, deverá ser disponibilizada também para terminal portuário de exportação e para a construção de usina térmica. A área está localizada no município de Copiapó, a 800 quilômetros de Santiago, bem na entrada do deserto do Atacama.Novas usinasA MMX negocia com siderúrgicas a construção de duas plantas com capacidade para a produção de até sete milhões de toneladas de aço no terminal portuário do Açu, no Norte Fluminense. Batista não quis revelar o nome das empresas que estão negociando, por conta de cláusula de confidencialidade. As duas plantas deverão ser construídas em paralelo à implementação do porto e devem operar a partir de 2010.As unidades, segundo ele, farão parte do complexo portuário que a empresa está construindo no Norte Fluminense, mas não deverão ter participação acionária na MMX. A empresa só deverá entrar com participação na usina termelétrica, a ser construída na mesma área. "Mesmo assim, será uma participação mínima, apenas como indutora do projeto, algo em torno de 10%", disse. BolíviaO empresário admitiu a possibilidade de a companhia voltar a atuar na Bolívia, "desde que seja convidada pelo governo local". No ano passado, a MMX teve que cancelar os investimentos que estava fazendo na produção de ferro gusa na Bolívia, depois de ser acusada de explorar o meio ambiente de maneira inadequada e instalar equipamentos sem autorização do governo. "Fomos inocentados de todas as acusações e estamos negociando uma retomada dos projetos, afinal já temos investimentos feitos lá", disse, lembrando que no total, a MMX aplico na instalação de dois fornos na Bolívia, cerca de US$ 70 milhões. Para iniciar a produção seriam necessários mais US$ 10 milhões.Segundo ele, a planta instalada - semelhante à siderúrgica que está sendo construída em Corumbá - teria ainda projeto de instalação de mais dois fornos, mas esses planos já foram descartados. Na semana passada a empresa foi autorizada pelo governo boliviano a retirar os equipamentos instalados, mas o empresário alega que ainda há negociação. "Estamos esperando um kit felicidade do Evo Morales, que inclui o convite para voltarmos ao país", disse. A siderúrgica de Puerto Suarez situa-se próxima à rodovia de acesso à fronteira e ao complexo portuário da região.

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