Anglo busca vender parte de ativos no Brasil

De acordo com jornais ingleses, empresa quer se fortalecer para enfrentar ofertas hostis

Daniele Carvalho, O Estadao de S.Paulo

30 de junho de 2009 | 00h00

A mineradora Anglo American - de origem sul-africana e inglesa - estaria negociando com potenciais investidores a venda de participação de até 30% de seus ativos no Brasil, segundo informações publicadas pelos jornais ingleses Financial Times e Sunday Telegraph. Os jornais atribuem a iniciativa da empresa a uma tentativa de aliviar seu caixa e, ao mesmo tempo, defender-se de propostas de fusão, como a que foi feita, sem sucesso, pela concorrente Xstrata.Os negócios de mineração operados pela empresa no País - 100% do Sistema Minas-Rio e 70% do Sistema Amapá - foram adquiridos no ano passado do empresário Eike Batista, a um custo total de US$ 7 bilhões. A Anglo adquiriu, ainda, participação de 49% no terminal de minério do Porto do Açu, também do grupo EBX, por onde será escoado o minério de ferro do Sistema Minas-Rio.De acordo com o Financial Times, que atribui as informações a fontes, a Anglo American já teria conversado com o Gulf Industrial Investment Company of Bahrain, de Bahrein, e Sojitz Corp., do Japão. Já segundo o Sunday Telegraph, a Anglo abriu conversas com a companhia chinesa Chinalco e um investidor do Oriente Médio para uma parceira que poderia "injetar centenas de milhões de dólares na MMX". Procurada, a Anglo American afirmou que "não comentaria especulações". "Os dois ativos da Anglo no Brasil exigem investimentos altos, especialmente o Minas-Rio. Por esse motivo, não vejo o interesse de um grupo brasileiro na operação", afirma o analista de mineração do Banif, Gilberto Cardoso. Ele ressalta que poucos grupos nacionais teriam fôlego financeiro para a empreitada. "A Vale tem projetos de excelente qualidade, como Carajás, e que não exigem investimentos tão altos neste momento. O cronograma de investimentos de Minas-Rio exige investimentos agora." Cardoso acrescenta que uma potencial candidata seria a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). "Mas a empresa está comprometida com investimentos na mina da Namisa", diz. INVESTIMENTO ALTOOs ativos da Anglo American no Brasil foram reunidos na subsidiária Anglo Ferrous. O Sistema Minas-Rio é apontado, por especialistas, como o mais ousado deles, pois envolve a construção de um mineroduto ligando as reservas de minério de ferro de Minas Gerais ao Porto do Açu, no Norte Fluminense. A empresa pretende investir US$ 3,6 bilhões no projeto, previsto para iniciar as operações em 2012. No Sistema Amapá, já em operação, a mineradora tem como sócia a americana Cleveland Cliff, com 30% do negócio. COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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