Angus preto tem sido a raça preferida

Das raças de origem europeia atualmente criadas no Brasil, a que mais vem se destacando no cruzamento industrial é o angus, mais especificamente o angus preto. Nos últimos cinco anos o mercado para o sêmen da raça evoluiu 370%, segundo relatório da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia). Atualmente, 20% do total de sêmen bovino de corte vendido no País é da raça angus, que perde apenas para o nelore, com 44%. Somando a fatia ocupada pelo red angus, a participação da raça angus sobe para 30%.

, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2011 | 00h00

"Qualidade da carne, aliada à precocidade e à boa resposta de acabamento tanto a pasto quanto no confinamento são os principais elementos que fazem com que a raça avance na preferência dos criadores", acredita o presidente da Associação Brasileira de Angus, Paulo Marques.

Parceria. Mas não são os únicos incentivos. A parceria com os principais frigoríficos do País, por meio de um programa de certificação que bonifica os produtores em até 9% do valor da carcaça, também ajudam a elevar a produção do meio-sangue angus/nelore.

Nesse sentido, especialistas acreditam que outra raça pode, se não alcançar, ao menos chegar perto do angus nos próximos anos: a hereford, cujo rebanho é encontrado desde o sul do Estado de São Paulo até o sul do Rio Grande do Sul.

No ano passado, a Associação Brasileira dos Criadores de Hereford e Braford firmou parceria com os frigoríficos Silva e Marfrig, de Santa Maria (RS), e conseguiu triplicar a quantidade de animais abatidos por ano. Segundo o gerente do Programa Carne Pampa, Guilherme Dias, o próximo passo é ampliar a venda do produto da Região Sul para os demais Estados. Isso não quer dizer, no entanto, que as outras raças não tenham possibilidade de ocupar espaços maiores, pondera o pesquisador Roberto Torres, da Embrapa Gado de Corte. Segundo ele, há espaço para todas, desde que haja investimento no melhoramento genético. "Se o tourinho for ruim, o cruzado vai ser ruim também", diz.

Eficiência animal. Torres afirma que uma série de pesquisas está em curso em várias unidades da Embrapa para avaliar a eficiência de cada animal em relação ao sistema de produção em que está inserido. Esse conhecimento, segundo ele, ajuda os criadores a avaliar melhor que raça vai melhor e em que região. "Estamos focando na monta natural, já que a reprodução por inseminação ainda é restrita", explica.

No Centro-Oeste, onde fica, Torres conta que os estudos têm envolvido cruzamentos entre raças zebuínas e raças sintéticas adaptadas às condições tropicais, como senepol, brangus, braford, simbrasil, santa gertrudis e montana. E também raças taurinas adaptadas, como caracu e bonsmara.

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