Anheuser-Busch se defende da InBev

Dona da Budweiser estuda oferecer empresa à SABMiller

Marili Ribeiro e Patrícia Cançado, O Estadao de S.Paulo

27 de maio de 2008 | 00h00

A família fundadora da cervejaria americana Anheuser-Busch, dona da Budweiser, deve fazer o possível para barrar a venda para a InBev. O presidente-executivo, August Busch IV, teme que os brasileiros assumam a companhia, assim como ocorreu na fusão com a belga Interbrew. Ele estaria cogitando até um leilão para oferecer também a sua empresa à concorrente SABMiller, a maior cervejaria do mundo, segundo o Estado apurou. O membro do clã Busch, no cargo desde o fim de 2006, já admitiu à imprensa americana que não gosta da visão de curto prazo que caracteriza a nova gestão da InBev.Outra alternativa para impedir a aquisição seria comprar 50% do Grupo Modelo, do México - a Anheuser-Busch já é dona de metade da cervejaria. Isso tornaria a empresa mais cara para a InBev, de acordo com reportagens divulgadas ontem na imprensa internacional. Na quinta-feira passada, o blog Alphaville, do jornal inglês Financial Times, revelou que a InBev prepara uma oferta de US$ 46 bilhões pela Anheuser-Busch. A compra da Modelo pode não ter relação direta com o ataque da InBev. As duas empresas já vinham conversando sobre o assunto, segundo fontes do mercado. Ter 100% das ações da cervejaria mexicana tornaria a Anheuser-Busch mais diversificada geograficamente, o que é um das reivindicações de analistas e investidores. Hoje, mais de 80% das vendas estão concentradas nos Estados Unidos, o que torna o risco pouco diluído. Um movimento nessa direção já foi feito no ano passado, com a compra de 27% da chinesa Tsingdao, a principal marca daquele país. No sábado, o presidente da AmBev para a América Latina, Luiz Fernando Edmond, admitiu ao jornal inglês The Observer que aquisições estão a caminho. "Nós geramos muito caixa e aquisições são uma oportunidade quando feitas com disciplina financeira", afirmou Edmond. "Nós temos o dinheiro. Mas, se você paga muito, nunca vê o benefício."Fugir da oferta da InBev não será tão simples para os Busch. A primeira opção - de oferecer a empresa à SABMiller - deve enfrentar dificuldades de aprovação nos órgãos de defesa da concorrência dos EUA. Isso porque as duas cervejarias são a primeira e a segunda maiores do mercado. Só a Anheuser-Busch tem 48,5% das vendas de cerveja do país, segundo relatório anual da empresa.O que pode jogar por terra o contra-ataque da Anheuser-Busch é a sua vulnerabilidade a ofertas hostis. A família detém 4% das ações e mantém a gestão por meio de um acordo acionário. Essa composição não é o único problema. Há alguns anos, a cervejaria abriu mão das chamadas poison pills, mecanismo criado na década de 80 para evitar que empresas fossem vítimas de ofertas do gênero. As poison pills permitem que os acionistas comprem novas ações com desconto e tornem uma aquisição mais cara. Sem elas, o caminho fica mais livre para a InBev.O principal acionista da Anheuser-Busch hoje é a Berkshire Hathaway, holding controlada pelo investidor Warren Buffett. Com cerca de 5% das ações, Buffett não seria capaz de decidir o futuro da cervejaria, mas poderia influenciar os outros acionistas a deixar os brasileiros assumirem a gestão da empresa. O investidor, que conhece bem o estilo do brasileiro Jorge Paulo Lemann, um dos principais acionistas da InBev, não estaria satisfeito com os resultados da dona da Budweiser.Os brasileiros já vêm tentando quebrar a resistência da família Busch. No ano passado, August IV foi um dos convidados do camarote da Brahma para assistir ao desfile de Carnaval no Rio. Em 2004, a AmBev usou a mesma estratégia para seduzir a Interbrew. Pouco depois, veio a fusão.

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