Animec pede explicações ao Santander

No último dia 15, a Associação Nacional dos Investidores do Mercado de Capitais, a Animec, enviou uma notificação extrajudicial ao Banco Santander. A Animec exige que se explique a definição do preço na oferta pública aos acionistas e os ajustes feitos nas demonstrações financeiras do Banespa. A posição oficial do Banco Santander é de não comentar o assunto. A notificação também foi enviada à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A associação reclama que no edital da oferta pública, que fixou o preço de compra em R$ 95,00 por lote de mil ações, o banco não informou quais os critérios utilizados no ajuste contábil que transformou o resultado positivo obtido pelo Banespa em prejuízo. Para a Animec, sem tais ajustes, os acionistas teriam recebido dividendos no valor estimado de R$ 6 por ação no período. Com o prejuízo, a companhia não pagou nenhum dividendo.O Santander é acusado pela Animec de descumprir o princípio do "full disclosure". Por essa regra, o acionista de empresa de capital aberto, especialmente o minoritário, deve ter acesso a todas as informações relevantes para tomar as decisões de investimento adequadas. A avaliação ainda considera que a efetivação dos ajustes surpreendeu o mercado e não corresponde às informações prestadas antes e depois da compra do Banespa. Em 21 de novembro de 2000, o grupo Santander informou ao mercado, segundo a Animec, que não previa a necessidade de ajustes contábeis substanciais em decorrência da carteira de crédito do Banespa, já que não havia identificado problemas. Tampouco seriam necessários ajustes nos fundos de pensão do banco. Outro problema seria a grande diferença entre o preço pago na compra do controle do Banespa e o valor oferecido aos acionistas minoritários. O Santander pagou na privatização R$ 627,67 por lote de mil ações, enquanto oferece aos minoritários R$ 95,00 por lote de mil. Para a Animec, a oferta aos acionistas corresponde a, aproximadamente, 15% do valor pago como preço pela aquisição do controle do banco paulista, "A injustiça decorrente da disparidade entre ambos os preços é óbvia". Carteira de títulos também estaria subavaliadaAnimec acredita que a Carteira de Títulos e Valores Mobiliários do Banespa poderia valer mais. O valor da venda futura de títulos de empresas não financeiras deveria ser levado em conta, em especial da participação do banco na Cesp. Os critérios de avaliação desses ativos não seriam claros, com possibilidade de erro no cálculo do valor dessas participações e, conseqüentemente, no preço da oferta pública.O edital da oferta menciona que a determinação do valor econômico do Banespa "partiu da premissa de que o banco iria vender todas as participações em empresas não financeiras". Dessa forma, diz a Animec, o preço pedido na oferta de compra das ações deveria refletir o valor da carteira como se a venda daquelas empresas já houvesse acorrido antes da privatização. De acordo com a associação, no entanto, não foram apresentados, em nenhum momento, os critérios de avaliação de tais participações.

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