''''Ano ainda não acabou para aquisições'''', diz presidente do Friboi

Compra da italiana Inalca será paga com parte dos US$ 800 milhões disponíveis no caixa da empresa

Natalia Gómez, O Estadao de S.Paulo

07 de dezembro de 2007 | 00h00

O presidente do Grupo JBS-Friboi, Joesley Mendonça Batista, disse ontem que "o ano ainda não acabou para aquisições". O executivo assegurou que a agressiva estratégia de compras do Friboi, evidenciada neste ano com a aquisição da americana Swift e da italiana Inalca (anunciada na quinta-feira), terá continuidade nos próximos anos.Bem-humorado, o executivo afirmou que o Friboi quer estar em todos os países do mundo. "Não vai ter como fugir de nós." Segundo Batista, a compra da gigante Swift, que fez do Friboi o maior frigorífico de carne bovina do mundo, não precisará de muito tempo para ser digerida. "Não vamos ficar dez anos parados por causa dessa compra", disse.Em relação à queda recente das ações, ele afirmou que está mais preocupado com a companhia do que com a opinião do mercado. "Pensei que as cotações iam cair mais ainda, afinal é dinheiro que sai de uma empresa para entrar em outra", disse.O único mercado estratégico em que o Friboi não tem operações é a China, mas Batista deu a entender que ainda é cedo para pensar em instalar uma fábrica no país. Segundo ele, a lógica é iniciar as relações comerciais com exportações, seguida da abertura de escritórios, para só então considerar a abertura de uma fábrica.Sobre o próximo passo no mercado internacional, Batista afirmou que pretende investir em produção em regiões ricas em gado bovino e apostar em fábricas onde há potencial de consumo.INALCAO Friboi usará recursos próprios para pagar os 225 milhões por 50% das ações da Inalca, empresa do grupo italiano Cremonini. Segundo Batista, o grupo possui US$ 800 milhões em caixa para financiar o negócio. "Temos dinheiro para realizar a operação sem empréstimos."A decisão pode trazer mais tranqüilidade ao mercado. Na quinta-feira, dia em que o negócio foi anunciado, as ações registraram um certo pessimismo dos acionistas. Segundo o balanço do terceiro trimestre, a relação entre dívida líquida e geração de caixa da empresa era de 3,3 vezes. Ou seja, a empresa necessita de pouco mais de três anos para quitar todas as suas dívidas. A companhia italiana tem uma relação entre dívida líquida e geração de caixa semelhante à da Friboi, de três vezes.Questionado sobre o risco de fazer uma nova compra logo após a aquisição da Swift, que custou US$ 1,4 bilhão, o executivo afirmou que possui duas principais preocupações nas aquisições: a estrutura de capital para financiar a operação e a gestão das novas companhias. "No caso da Inalca, estamos tranqüilos, porque não gastaremos energia com a gestão e o pagamento está equacionado", disse, ressaltando a diferença entre essa compra e a da Swift, que demandou grandes esforços na administração e fez necessária uma colocação de ações maior que a oferta pública inicial do grupo, realizada em março deste ano.

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