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'Ano da ovelha' pode derrubar taxa de natalidade na China

Maior festa entre os chineses começa com crise de identidade do mascote do ano e causa preocupações entre casais, que temem excesso de obediência dos filhos deste signo

Associated Press

19 Fevereiro 2015 | 09h32

 PEQUIM - Os chineses comemoram nesta quinta-feira, 19, a entrada no ano da ovelha, com festividades do Festival da Primavera em um feriado que leva mais de 100 milhões de trabalhadores a deixar o trabalho por alguns dias para celebra a data com familiares em suas cidades natais.

Este ano a principal festa dos chineses chega com previsões de acidentes e instabilidade, além de temores de alguns pais pela reputação de obedientes dos nascidos neste ano novo. A preocupação é tanta que chega a derrubar o índice de natalidade, segundo especialistas.

A doutora Meika Chin, parteira do Hospital Unido Familiar de Shangai, estimou que os nascimentos deverão cair cerca de 20% neste ano novo em média, já que muitos casais dizem que vão pular o ano da ovelha para só ter um bebê no próximo ano.

O signo animal, a cada doze anos, traz também uma crise de identidade. Conhecido indistintamente como o ano da cabra, da ovelha ou do carneiro, a confusão em torno do nome do mascote deste ano deriva do caractere chinês 'yang', que descreve ambiguamente a qualquer dos três mamíferos, com ou sem chifres.

Muito preferem traduzir como 'o ano da ovelha', porque elas são mais adoráveis e 'fofinhas', e nas últimas semanas apareceram pelo país incontáveis formas de ovelhas no comércio para alegria de adultos e crianças.

O mais provável é que o significado original seja a cabra, porque é um animal mais popular entre os chineses da etnia han, que iniciaram a tradição do zodíaco, segundo Huang Yang, pesquisador sobre o papel das ovelhas e cabras na cultura chinesa citado pela agência oficial de notícias Xinhua. 

Ainda assim, a agência oficial mantém a referência ao 'ano da ovelha' em seu noticiário em inglês.


Economia.Durante os sete dias de feriado que começaram na quarta-feira, a segunda maior economia do mundo depois dos Estados Unidos praticamente fica parada.

Muitos habitantes da China continental festejaram a chegada do ano novo na noite de quarta-feira sem se importar com o fato de a mascote da vez não deixar claro se deve ser chamada de cabra ou ovelha.

O ano anterior, do cavalo, foi considerado proveitoso pela maioria, apesar da série de desastres aéreos de grande repercussão internacional envolvendo empresas asiáticas.

Os astrólogos em sua maioria asseguram que este ano não traria uma economia instável, mas acidentes de transportes e desastres naturais com fortes ventos e tornados nos Estados Unidos e tufões no sudeste asiático.

Para a China, onde não há tornados, isso significa contaminação do ar, que chegará com correntes de ar sujo e afetará a vida de todos, disse o astrólogo de Shangai Dong Jialing. 

O mestre de Feng shui Clement Chan, disse ver muito fogo este ano, e "fogo supõe acidentes". Ele prevê acidentes de avião no primeiro semestre, mas não tantos como no ano que passou. E também prevê acidentes de trânsito, o que não é propriamente uma novidade e nem algo difícil de ser previsto na China.

Mercado de ações. Uma corretora de valores de Hong Kong que publica um informe satírico de feng shui anualmente disse que é provável que o índice da bolsa de valores no território chinês apresente volatilidade quando o galo que tem como símbolo se enfrente com o mascote do ano novo.

A corretora CLSA advertiu que as pessoas vão se chatear com facilidade e será difícil enfrentar esse mau humor, e que por isso o ano novo será uma boa época para 'manter-se em guarda e evitar dissabores'.

A tradição diz que as pessoas nascidas neste ano 'yang', como Steve Jobs, Bill Gates ou a atriz Zhang Ziyi, são artisticamente mais sensíveis, de bom coração e e bons filhos, mas também tímidos, obstinados e se preocupam demais.

O caractere chinês 'yang' está presente em outras grafias de significado positivo como formoso, propício e bondade. Ainda assim, os supersticiosos acreditam que o ano é pouco favorável e que os nascidos neste período serão infelizes e mais provavelmente seguidores do que líderes.

Apesar dos temores, o ano foi recebido com festa e muitos bailarinos pelas ruas vestidos para a 'dança do leão' (confundido no ocidente com um dragão), um espetáculo que combina artes marciais e bailado para festejar a festa mais importante da cultura chinesa.

Infinitas lanternas vermelhas decoram as ruas e as lojas nas cidades chinesas para dar as boas vindas ao Festival da Primavera que prossegue até o dia 24.

O leão e o dragão formam parte da cultura milenar chinesa e representam boa sorte e prosperidade, respectivamente, e é uma crença popular entre os chineses de que as danças dos animais afugentam os maus espíritos.

 

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