finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Imagem Celso Ming
Colunista
Celso Ming
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Ano de ajuste

Este 2015 está sendo apresentado pelo governo Dilma como um ano de ajuste. Por enquanto, sabemos de apenas três ajustes importantes: o fiscal, o monetário e o de preços. Decididamente, não é o suficiente para garantir o crescimento econômico nos anos seguintes - já que a faxina não promete grande coisa na atividade econômica de 2015.

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

01 de janeiro de 2015 | 02h02

O saneamento das contas públicas (ajuste fiscal) prometido pelo ministro indicado para a Fazenda, Joaquim Levy, aquele que, em 2015, produzirá um superávit primário (poupança do governo) de 1,2% do PIB, ou R$ 66 bilhões, será realizado num ambiente de redução de subsídios e de baixo avanço do PIB, portanto, de dificuldades para aumentar a arrecadação. O serviço mais pesado terá de se concentrar na redução das despesas, num quadro em que o Tesouro não poderá mais ser usado para transfusões diretas de recursos para os bancos públicos ou para empresas de energia.

Na área monetária, o combate à inflação ficará concentrado no aperto do volume de dinheiro na economia (alta dos juros). Depois de muita vacilação, o Banco Central passou a prometer que "fará o necessário" para controlar a inflação. Isso implica crédito mais caro e mais escasso. O objetivo é obter a convergência para a meta de inflação, de 4,5%, não em 2015, mas em 2016.

Parte necessária no ajuste é o realinhamento de preços que, por sua vez, tem também a ver com a redução dos subsídios à energia elétrica, aos transportes públicos, ao crédito dos bancos oficiais. Ao longo dos últimos quatro anos, o governo Dilma caiu na esparrela em que caíram outros governos: o represamento artificial de preços, inclusive os da moeda estrangeira (câmbio). É o mesmo que segurar os ponteiros do relógio para impedir a passagem do tempo. Essa distorção produziu outras e foi enorme fonte de insegurança. Qual é, por exemplo, a empresa dependente de energia elétrica que vai investir se não sabe se poderá contar com suprimento adequado de energia?

Esses ajustes serão de grande valia para a recuperação da confiança. Mas não serão suficientes. É necessário bem mais para acionar o investimento. É preciso garantir o crescimento da poupança e a criação de mecanismos que a captem no mercado para que, em seguida, possa ser canalizada para projetos de infraestrutura.

Também será necessário recuperar a competitividade da indústria, que é mais do que simplesmente trazer o câmbio para dentro da curva. O governo não só terá de detalhar um programa de redução de custos, mas, também, de fechar acordos comerciais que criem preferência para o setor produtivo.

Mas, cá entre nós, a questão técnica é relativamente fácil de equacionar. É só aplicar o que prescrevem os manuais. O grande problema é de outra ordem. Consiste em saber até que ponto a presidente Dilma está disposta a sustentar o preço político de um ajuste, ainda que lento e gradual. Usou os pedaleiros da hora para tocar a política econômica que ela escolheu e os descartou. Agora, convocou a dupla ortodoxa Levy e Barbosa para consertar os estragos. Boa aposta consiste em saber até quando vai mantê-los.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.