Ano é bom para classificação de risco na AL, avalia S&P

A agência de classificação de risco Standard & Poor´s avalia que 2007 deverá ser um outro ano positivo para os ratings da América Latina, "mas talvez não tão bom como em 2006". Num relatório sobre as perspectivas da região, Joydeep Mukherji, analista da S&P, afirma que a melhora na performance econômica dos países latino-americanos reflete tanto os fatores estruturais, "que são encorajadores", como os cíclicos, que podem mudar rapidamente. "Os principais fatores cíclicos são os elevados preços das commodities, que estão conectados ao crescimento rápido nos Estados Unidos e China, e uma boa disponibilidade de capital externo", disse Mukherji. "O que vai para cima pode facilmente cair, especialmente nos mercados de commodities."Segundo ele, as duas principais fontes de demanda externa para a região, Estados Unidos e China, podem se tornar menos dinâmicas em 2007. Nesse caso, os exportadores latino-americanos sentiriam o impacto no preço do petróleo, metais e produtos agrícolas. "Uma reversão total na recente melhora em termos do comércio exterior resultaria, com todo o resto permanecendo igual, num déficit em conta corrente", disse. "Taxas de juros internacionais mais elevadas ou menos liquidez nos mercados financeiros também poderiam frear o crescimento da região."Segundo a S&P, a melhora no comércio exterior da América Latina nos últimos anos teve um impacto positivo mais relevante na Venezuela, Chile, Peru e Bolívia. "Uma reversão no comércio reduziria claramente o crescimento econômico - ou até resultaria numa recessão - em alguns desses países", disse Mukherji. "Mas o Chile é uma exceção a esse padrão, graças a sua capacidade de promover políticas fiscais contracíclicas para sustentar o crescimento do PIB mesmo se suas exportações caírem."FatigaO analista salientou também que a "fatiga pública com as atuais políticas econômicas que contribuíram para a estabilidade mas não suficientemente para a prosperidade" poderia gerar mudanças políticas. "Países como o Brasil e o México avançaram muito na estabilização de suas economias e no lançamento dos alicerces para performances econômicas mais sólidas", disse. "Entretanto, eles têm registrado pobres taxas de crescimento do PIB, insuficientes para reduzir substancialmente o número de pessoas vivendo na pobreza." Segundo Mukherji, a pressão política por mudanças na estratégia econômica poderá ficar mais forte nos próximos anos se os dois países não conseguirem acelerar suas taxas de crescimento, ou não encontrarem formas efetivas de aliviar diretamente a pobreza através de programas sociais.

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