Ano eleitoral não pode alterar política econômica, diz Palocci

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, defendeu nesta quinta-feira em Londres a sua política econômica, dizendo que demandas por mudança são "legítimas", mas que os pilares dessa política não podem ser alterados. "Não podemos alterar pelo fato de que esse ano é um ano eleitoral e as demandas são muito fortes. Naturalmente, a pressão política é maior", disse o ministro em uma entrevista a jornalistas brasileiros na residência do embaixador brasileiro em Londres. Palocci disse que, no caso dos juros, existe um consenso de que quanto mais baixos, melhor para a economia, mas nem sempre é possível fazer isso. "Juros, quanto menores, melhor. A única diferença é entre a vontade e a possibilidade", explicou. Nas últimas semanas, a política econômica e o ministro Palocci foram alvos de ataques do próprio PT e de aliados, como o presidente do PL, Valdemar Costa Neto. O ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, também disse recentemente que os juros estão muito altos. Crescimento Segundo Palocci, as microrreformas institucionais, como a reforma legal da área de construção civil, reforma da lei de defesa da concorrência e outras, vão permitir a retomada sustentada do crescimento "Eu considero que este é o primeiro ano de uma nova etapa de crescimento histórico no Brasil". "As pessoas falam que é preciso mudar a política econômica para o País crescer mais, é preciso mudar no sentido de gerar mais emprego. São vontades legítimas e tudo isso tem de ser feito pelo governo, essas medidas que acelerem o crescimento, gerem mais emprego, mas dentro de um arcabouço de política econômica", disse. "Os pilares da política econômica não devem mudar. Não porque são usuais no Brasil, mas porque são instrumentos de estabilidade usados no mundo inteiro", afirmou Palocci, citando o equilíbrio fiscal e a estabilidade. Mas o ministro reconheceu que a vontade de mudar é legítima. "As propostas de mudanças na política econômica na verdade não são propostas de mudança, são apelos legítimos e vontades legítimas de maior crescimento, de maior desenvolvimento do País. Agora nós, como temos de fazer e não apenas falar do assunto, temos de buscar aproximar as vontades da realidade", argumentou.

Agencia Estado,

18 Março 2004 | 11h02

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