Anotar os gastos e ganhos é o primeiro passo para sair do endividamento

Tenho renda mensal líquida de R$ 6 mil, sou solteiro e moro sozinho. Quero investir e pensar no futuro, porém tenho muitas dívidas (incluindo financiamento atrasado) e não sei por onde começar. Obs: Endividei-me por ter ficado um ano sem trabalhar. Enfim, o que fazer?

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2010 | 00h00

A palavra chave nessa hora é organização. Primeiro passo é elaborar com detalhes o seu orçamento com todas as receitas e despesas. Acho que o fato de ter ficado desempregado trouxe um aprendizado para você e permite que você se dedique com muito mais afinco a organização das suas contas. Quanto à dívida, procure saber exatamente qual o valor de sua dívida junto aos credores. Quando conseguir os valores consolidados de suas dívidas, leve-as a um especialista - uma dica procure o Procon ou órgãos similares na sua cidade. Verificados os valores das dívidas, propor aos credores (é o caso do cartão de crédito) um acordo para diminuição da dívida. Neste ponto há duas alternativas: parcelar a dívida com o próprio credor; ou obter um empréstimo mais barato do que o custo das dívidas atuais, como exemplo, conseguir um empréstimo consignado ou, mesmo, um crédito pessoal.

Tenho ações de uma empresa que quase fechou integralmente o capital. Esse processo teve início em 2001, quando a acionista controladora francesa fez proposta de compra de ações dos minoritários. Hoje, a empresa tem menos de 1% das ações em mãos de terceiros no Brasil. Esses papéis têm me gerado dividendos excelentes. Não tenho interesse de me desfazer desses papéis. Em junho de 2010, os controladores me fizeram uma nova oferta de compra ou a troca por ações da holding estabelecida na França. Pedi mais dados e fiz uma comparação dos resultados dos últimos cinco anos da holding francesa, que representaria apenas a metade do que recebi de dividendos. Ou seja, se eu vender, ganho um capital determinado e que em alguns anos terei gasto todo. Se eu mantiver as ações, tenho probabilidade de continuar a receber dividendos. Quais são meus direitos, como acionista minoritária de uma empresa de capital fechado? Eles têm como fazer um "squeeze-out" se eu me recusar de vender?

A exemplo de outros países, o Brasil tem legislação que possibilita ao grupo majoritário comprar as ações de minoritários de maneira forçada (squeeze-out), isto em caso de remanescerem em circulação menos de 5% do total das ações emitidas pela companhia. Por outro lado, na França as regras societárias não tratam de privilegiar os minoritários. Assim, numa possível troca pelas ações da holding não haveria redução desse risco.

Embora, a posição da leitora seja clara no desejo de manter suas ações, talvez seja interessante tentar negociar um preço adequado para os títulos, dada a situação, e buscar no mercado alguma outra ação que tenha perfil semelhante em relação ao risco e pagamento de dividendos.

Tenho R$ 1 milhão em investimentos diversos (CRI, LCA, CDB, DI, ações). Sou profissional autônomo e neste momento as entradas de dinheiro estão bem escassas, o que está me obrigando a lançar mão das economias acumuladas. Acompanho mês a mês meu saldo e gerencio de maneira satisfatória ao meu ver. No meu banco me ensinaram a fazer o seguinte cálculo: dividir o saldo do fim do mês atual pelo do mês anterior. O resultado -1 x 100. Disto, subtrai-se o IPCA e a porcentagem apurada. Aplica-se ao saldo de 30 do mês anterior. O resultado é o dinheiro que está na "caixinha". Tenho feito este cálculo e não tenho, até agora, tirado todo o dinheiro da caixinha. Este cálculo e raciocínio estão certos? De acordo com o que foi publicado em uma coluna sua, uma pessoa que tem R$ 500 mil aplicados nunca verá o fim do dinheiro. Gostaria que o senhor dirimisse esta dúvida. Meu INSS hoje custa quase R$ 700, minhas despesas mensais fixas são de cerca de R$ 4 mil. Recebo de meu trabalho R$ 1.800 o que pode oscilar para cima ou para baixo.

O cálculo que você tem realizado está certo para quem não tem uma calculadora financeira. A parte inicial do cálculo de pegar o saldo final (30/08) dividir pelo saldo anterior (30/07) (-1) x (100) está correta e você está obtendo o rendimento bruto mensal. Tirar a porcentagem do IPCA direto do rendimento é uma simplificação, mas que não altera significativamente o cálculo. O certo é dividir o fator do rendimento (fruto da divisão do saldo final pelo saldo anterior) pelo fator do IPCA - dividir a porcentagem por 100 e somar 1, exemplo: 0,78%, 0,78/100 + 1 = 1,0078.

Mas, indo mais diretamente a sua preocupação. Caso você retire mensalmente somente a parte de ganho real (caixinha) teoricamente o principal estará preservado.

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