ANP admite que sistema de autorização para combustível é falho

O Ministério Público vai entrar nas investigações sobre o desaparecimento, em São Paulo, de 7,4 milhões de litros de gasolina destinada à exportação. A Agência Nacional de Petróleo (ANP) enviou nesta quarta-feira denúncia ao Ministério Público Federal, no Rio, e ao Estadual, em São Paulo, para que apurem o caso, que já vem sendo apurado pela Polícia Civil de Paulínia, na região de Campinas. O diretor-geral da ANP, Sebastião do Rego Barros, admitiu que o sistema de concessão de autorizações de importação e exportação falhou. "Este processo é muito novo e tem que ser aprimorado", disse.A gasolina foi comprada na Refinaria de Manguinhos, no Rio, e seria exportada para a Bolívia pela capixaba Thork Trading, mas desapareceu em Paulínia (SP). A Thork afirma que armazenou o combustível nos tanques de três empresas e, quando foi buscar, não encontrou nada. Executivos da empresa devem depor hoje em Campinas e terão que prestar esclarecimento sobre o paradeiro do combustível à ANP. A polícia já ouviu depoimentos de representantes de duas distribuidoras de combustíveis instaladas no pólo petroquímico de Paulínia, que confirmaram o recebimento de 5,9 dos 7,4 milhões de litros de gasolina que seriam exportados para a Bolívia. O delegado Tadeu Aparecido Brito de Almeida, que está conduzindo o inquérito policial contou que a Thork armazenou a gasolina em distribuidoras de Paulínia alegando "questões operacionais".Almeida ouviu depoimentos de seis pessoas responsáveis pelas distribuidoras Exxel, Alamo e Transo. A Exxel confirmou o recebimento de 700 mil litros do produto, mas afirmou que o devolveu à Thork. A Alamo informou ao delegado ter recebido 5,2 milhões de litros, que teriam sido armazenados na Transo, mas também garantiu que o material foi devolvido à exportadora. O delegado contou ainda que a Transo afirmou desconhecer ter abrigado combustível destinado à exportação.Amanhã, a polícia ouvirá representantes da Thork, que deverá também prestar esclarecimentos à ANP. O delegado não descartou que sejam feitas acareações entre os funcionários das distribuidoras e da Thork. Ele acredita que a gasolina pode ter sido vendida no mercado interno, depois de beneficiada com a isenção de taxas, que representam mais da metade do preço final do produto. "Não acredito que essa gasolina tenha saído do Brasil", afirmou.

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