ANP dedurou os postos. E eles chiaram

A divulgação da lista de postos que adulteraram combustível em 2002 e 2003 causou irritação no setor. A responsável pela lista, a Agência Nacional do Petróleo (ANP), recusava-se a divulgar os nomes dos postos flagrados, mas a ministra das Minas e Energia, Dilma Roussef, determinou que ela fosse mostrada ao consumidor. No Auto Posto Palácio, localizado na região sul da capital, o gerente, que não quis se identificar, lamentou o fato de a ANP ter divulgado a lista. ?Não é certo eles nos acusarem dessa forma. A ANP veio até aqui, mas não fomos multados nem tivemos a bomba lacrada. Temos um laudo comprovando a qualidade de nossa gasolina. Há muitos postos por aí que vendem o combustível pela metade do preço que vendemos e, mesmo assim, não foram autuados?, disse ele. O posto trabalha com a bandeira Esso e lá o litro da gasolina é vendido por R$ 2,07. Uma funcionária do Auto Posto Taquaral Borba Gato, na região sul da cidade, informou que uma das bombas do posto havia sido lacrada em novembro do ano passado. Ela afirmou, porém, que nunca houve comprovação de que a gasolina era adulterada. ?Sem comprovação, o nome do posto não deveria estar na lista?, opinou. O presidente do Sincopetro (sindicato dos postos), José Alberto Gouveia, afirmou que a ANP havia combinado com os postos que a lista não seria divulgada. ?Foi uma sacanagem?, reclamou ele. A lista da ANP aponta oito postos autuados esse ano e 164 no ano passado, somente na Grande São Paulo. Na lista do ano passado, constam vários postos reincidentes no crime de adulteração. Já na lista de 2003, não há esse registro. Essa foi a primeira vez que a ANP divulgou a lista de postos autuados ou interditados por vender gasolina irregular. O objetivo é fazer com que os consumidores tenham acesso aos nomes dos postos que já foram flagrados vendendo combustível adulterado. Nos próximos dias, a ANP vai apresentar a lista dos postos autuados em 1999, 2000 e 2001. Apesar da polêmica em torno da publicação da lista, nem mesmo os postos flagrados mais de uma vez sofrem uma punição mais severa, o fechamento. O procedimento da ANP é lacrar a bomba em que a gasolina é encontrada até que todo o combustível adulterado seja jogado fora. Quando o estabelecimento comprova que renovou o estoque, pode voltar a usar a bomba normalmente. Os postos flagrados também precisam pagar multa ? que varia de R$ 50 a R$ 5 milhões.

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