ANP defende retomada da 8ª rodada de licitações

Em audiência com deputados, diretor-geral da Agência defende retomada de licitação 'por qualquer caminho'

Leonardo Goy, da Agência Estado,

14 de maio de 2008 | 11h54

O diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Haroldo Lima, defendeu nesta quarta-feira, 14, a retomada da oitava rodada de licitação de blocos de petróleo e gás, interrompida em 2006 devido a decisões judiciais. Lima afirmou que a opinião da ANP é de que esta rodada deverá ser reaberta, licitando-se todos os blocos inicialmente previstos, inclusive dez deles que estão "na franja" (borda) do pré-sal, camada que se estende do litoral do Espírito Santo até Santa Catarina e na qual já foram descobertos grandes campos de petróleo, como o de Tupi.  Veja também:País pode ter o terceiro maior campo de petróleoPreço do petróleo em alta Lima, entretanto, disse que a oitava rodada "tem de ser retomada por qualquer caminho", mesmo retirando-se da licitação os dez blocos que estão na borda do pré-sal. O diretor-geral da ANP participou de audiência com deputados que integram a Comissão de Minas e Energia da Câmara, sobre as novas descobertas de petróleo no Brasil. Após a interrupção da oitava rodada em 2006, o governo realizou, em novembro do ano passado, a nona rodada, retirando da licitação 41 blocos localizados no pré-sal por causa da descoberta do campo gigante de Tupi. A intenção do governo é licitar esses blocos separadamente, com novas regras. Haroldo Lima destacou que, mesmo sem esses 41 blocos, a nona rodada atingiu o recorde de arrecadação de R$ 2,1 bilhões. EUA O diretor da ANP manifestou preocupação com a possibilidade de alguns países, especialmente os EUA, não concordem que os campos petrolíferos da área da camada do pré-sal estejam em águas territoriais brasileiras.  Lima revelou que participará de uma reunião no Ministério da Defesa para tratar deste assunto. O ministro ressaltou que essas jazidas estão dentro do limite da convenção internacional de 200 milhas para o mar territorial de um país. "Nós afirmamos que o limite são 200 milhas. Vários países concordam e outros não. Eu me lembro de um que é meio zangadinho com essa negócio de 200 milhas, que são os Estados Unidos. Eles não respeitam muito esse negócio de 200 milhas", disse ele, acrescentando que se "se os americanos cismarem" que essas 200 milhas não existem, "temos uma um problema aí", disse Lima, se referindo à área de exploração do pré-sal.

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