ANP dobra estimativas da maior área de petróleo do País e antecipa leilão

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) fez ontem um anúncio que muda o quadro da exploração do pré-sal brasileiro. Novos dados geológicos da área gigante de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos, sugerem o maior campo do País. Teria o equivalente a dois terços de todas as reservas provadas no Brasil - aquelas já com exploração comercial viável.

SABRINA VALLE / RIO, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2013 | 02h07

Com isso, o governo decidiu que Libra será a única oferta no primeiro leilão do pré-sal, que foi ontem antecipado para outubro e terá a presença da presidente Dilma Rousseff. O leilão de áreas com potencial para gás será em novembro.

A diretora geral da ANP, Magda Chambriard, disse que os novos dados, revelados neste mês, deixaram o governo e ela própria "deslumbrados" com o potencial de Libra. "É muito grande, muito maior do que tínhamos na mão até agora", disse Magda a jornalistas.

A estimativa é de que a área tenha o dobro de petróleo do que se imaginava há apenas um mês - um óleo de boa qualidade (27º API) de boa qualidade.

Magda disse que os novos dados apontam para um volume entre 8 bilhões a 12 bilhões de barris recuperáveis - que podem ser extraídos em produção comercial. Todas as reservas provadas do Brasil somam 15,7 bilhões. Em abril, a ANP estimara que Libra teria entre 4 bilhões e 5 bilhões de barris.

"Acho que 10 (bilhões de barris) é um bom número", disse. Magda lembra que o maior campo produtor no Brasil, Marlim, na Bacia de Campos, tem 2 bilhões de barris recuperáveis. O campo gigante de Lula no pré-sal, o maior até agora, tem entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris.

Raio X. A decisão de só ofertar Libra e antecipar o leilão de novembro para outubro foi tomada na quarta-feira em Brasília depois de chegarem os novos dados. A ANP reavaliou a área com base no resultado de sísmicas em 3D no fundo do mar, uma espécie de raio X, e de um poço perfurado a mando da agência no local. "Não há por que ofertar mais do que Libra no leilão", disse Magda.

Participaram da reunião a presidente Dilma Rousseff; o ministro de Minas e Energia (MME), Edison Lobão; o ministro da Fazenda, Guido Mantega; e o secretário de óleo e gás do MME, Marco Antonio Almeida. O leilão deve ser realizado na segunda quinzena de outubro.

Lobão disse que o leilão do pré-sal pelo sistema de partilha foi antecipado de novembro para outubro para dar coerência aos processos de licitação feitos pelo governo este ano. "Fizemos um leilão de petróleo agora (na semana passada), vamos fazer na sequência outro de petróleo no pré-sal e, depois, fazemos o de gás", disse Lobão, ao chegar ao Ministério do Planejamento, para a reunião do Comitê Gestor do PAC.

De acordo com o regime de partilha, criado para o pré-sal, a Petrobrás terá que participar como operadora de Libra com um mínimo de 30%, mesmo que não participe do consórcio vencedor. A petroleira também terá que acompanhar o maior preço ofertado, mesmo que não esteja de acordo, o que gera insegurança no mercado sobre sua capacidade de investimento.

A agência disse que não há essa preocupação e que a Petrobrás vai acompanhar a maior oferta, como determina a lei. Caso a Petrobrás esteja fora do consórcio vencedor, entrará com 30% e o consórcio repartirá os 70% restantes.

O poço 2ANP-2A foi perfurado pela Petrobrás. Portanto, a estatal já tem os dados sobre a região. A decisão do local de perfuração foi de Magda, que é engenheira de reservatórios.

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