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ANP investiga Petrobrás e governo culpa BW por acidente em plataforma

Embarcação é afretada pela Petrobrás desde 2009, mas o governo e e estatal tentam vincular o acidente à BW Offshore, dona da unidade

O Estado de S. Paulo

12 Fevereiro 2015 | 19h59



Texto atualizado às 22h20

Embora o navio-plataforma Cidade de São Mateus, instalado nos campos de Camarupim e Camarupim-Norte, na Bacia do Espírito Santo, seja afretado desde 2009 pela Petrobrás, a estatal e o governo tentam vincular o acidente na unidade apenas à BW Offshore. A norueguesa é a dona e operadora da plataforma que sofreu uma explosão na quarta-feira, deixando pelo menos cinco mortos. No entanto, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) abriu um processo contra a Petrobrás para apurar as causas do acidente.

Uma nota divulgada nesta quinta-feira, 12, afirmava que a presidente Dilma Rousseff procurou o presidente da Petrobrás, Aldemir Bendine, para falar sobre o acidente “com o navio-plataforma da empresa BW”. O comunicado dizia que “a Petrobrás irá cuidar para que a BW preste toda a assistência às famílias envolvidas”. Em conversa com jornalistas no dia da explosão, o ministro de Minas e Energia Eduardo Braga ressaltou que ela ocorreu em um equipamento alugado. 

A Petrobrás passa pela maior crise de sua história e vem tendo sua imagem abalada pelas denúncias de corrupção na Operação Lava Jato. O acidente no Espírito Santo é mais um fato negativo. As manifestações demonstram uma preocupação com a imagem da companhia.

A BW tem atualizado as informações sobre o caso por meio de notas em seu site. Nesta quinta, o vice-presidente de projetos de modificação da empresa, Benito Ciriza, deu uma entrevista coletiva em Vitória. Segundo a Petrobrás, “toda a comunicação sobre o acidente está sendo feita pela BW Offshore, que é a proprietária no navio-plataforma”. Em sua defesa, a estatal argumenta que vem apoiando a BW.

Para a ANP, porém, a Petrobrás também tem responsabilidade no acidente. Segundo a agência, sua relação “é sempre com a concessionária do campo, neste caso a Petrobrás. As consequências dependerão do resultado das investigações”.

Questionada acerca da divisão de responsabilidades no episódio, a Petrobrás informou que é a operadora responsável pelas concessões de Camarupim e Camarupim-Norte perante a ANP. A estatal frisou que, por outro lado, quem responde pela operação da plataforma é a BW Offshore, como contratada pela Petrobrás.

Ciriza explicou que os funcionários que trabalhavam no navio-plataforma são da BW, mas a legislação prevê que a Petrobrás, que aluga a unidade, seja acionada caso a operadora não pague os funcionários. Porém, ele não esclareceu se a responsabilidade no caso de indenizações seria compartilhada.

Sob o ponto de vista jurídico, o advogado e professor da Fundação Dom Cabral, Claudio Pinho, pondera que existe responsabilidade do operador e do contratante da plataforma. Isso valeria tanto para o pagamento de eventuais indenizações às famílias das vítimas quanto à responsabilidade com órgãos reguladores, caso seja comprovado o descumprimento dos protocolos de segurança. 

Vítimas. O número de mortos no acidente subiu para cinco, com a descoberta de mais dois corpos de funcionários, segundo balanço divulgado pela BW. As buscas continuam, porque quatro pessoas permanecem desaparecidas. 

Um dos sobreviventes revelou que a embarcação sofreu duas explosões. A primeira ocorreu uma hora e vinte minutos antes da que matou os trabalhadores, deixou quatro desaparecidos e 25 feridos, nas contas da ANP. As explosões foram narradas por um funcionário do navio ao cunhado. “O Diego (Chaves Gomes, de 30 anos) trabalha no refeitório e faz parte da brigada de resgate do navio. Segundo ele, houve uma primeira explosão, que não deixou feridos, mas soou a sirene e todos ficaram em estado de alerta. Depois de uma hora e meia, tudo parecia ter voltado ao normal, e Diego decidiu ir almoçar”, contou seu cunhado Alexandre Tavares Paz, de 35 anos. 

“Ele estava no elevador quando houve a segunda explosão. O aparelho caiu por uns 30 metros, até dar um tranco porque ele fica seguro por uma corda. Devido a esse tranco, Diego fraturou o tornozelo, e um rapaz que também estava no elevador desmaiou. Os dois ficaram presos no aparelho, inalando fumaça e vendo o fosso do elevador encher de água.” O resgate só teria chegado após uma hora e quarenta minutos. 

Segundo a ANP, um dos dois corpos encontrados ontem dentro da embarcação era de um estrangeiro de nacionalidade não informada. Sete pessoas continuam internadas em dois hospitais, sendo três com risco de vida. Desse trio, um homem teve queimaduras em 43% do corpo. / FÁBIO GRELLET, FERNANDA NUNES, IDIANA TOMAZELLI, MARIANA DURÃO E VINICIUS NEDER

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