Sergei Karpukhin|Reuters
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ANP não vai interferir na periodicidade do reajuste de combustíveis

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) havia lançado uma consulta pública para debater o assunto em junho

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

19 Julho 2018 | 20h00

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) decidiu não interferir na periodicidade do ajuste do preço da gasolina e do diesel no Brasil. A autarquia propôs um debate sobre o assunto em junho por causa da greve dos caminhoneiros, que começou como um protesto pela alta constante do diesel pela Petrobrás. A paralisação de 11 dias no fim de maio provocou desabastecimento no País e motivou a saída de Pedro Parente do comando da estatal.

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Entre 11 de junho e 2 de julho, a agência recebeu 146 contribuições do setor sobre a conveniência de fixar um prazo para o reajuste dos combustíveis. Segundo o diretor-geral da ANP, Décio Oddone, a decisão de não interferir na periodicidade foi tomada com base nas sugestões de consumidores e dos agentes de mercado (revendedores, transportadores e distribuidores), além de estudos feitos pela própria agência.

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No mercado, a iniciativa da ANP de abrir a discussão sobre o tema foi encarada como uma intervenção na política de preços da Petrobrás, que detém o monopólio do refino no País e desde de julho do ano passado reajusta quase diariamente os preços do diesel e da gasolina.

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“O ajuste do preço tem que ser livre, mas vamos tomar algumas medidas para garantir a transparência e a competitividade do mercado”, afirmou o diretor, descartando que o debate tenha sido uma tentativa de interferir na política da Petrobrás. “Tudo o que a ANP faz é intervenção, mas é legítima”, argumentou, dizendo que, se fosse considerado necessário, a agência teria estipulado prazo para os ajustes.

Oddone informou que a ANP vai elaborar uma resolução para criar mecanismos que assegurem a competitividade do setor de combustíveis, como proibir a divulgação antecipada dos ajustes e a fixação de prazo para que os ajustes aconteçam, a exemplo do que a Petrobrás faz hoje. A previsão é que é a norma entre em vigor em até 60 dias.

A resolução deve estabelecer a obrigatoriedade da divulgação de preços efetivos e não dos preços médios, como a Petrobrás faz hoje. “A Petrobrás tem 35 pontos de entrega de combustíveis, quando a gente olha o preço médio da gasolina todo dia, aquilo é preço médio em todos os pontos de entrega no Brasil. É mais transparente que sejam os preços efetivamente praticados”, disse, sem dar detalhes de como isso será feito. 

Outras sugestões, como as relativas à adoção de mecanismos tributários para reduzir a volatilidade dos preços, serão encaminhadas aos ministérios da Fazenda e de Minas e Energia.

A Petrobrás não quis comentar a decisão da ANP. 

Para não desperdiçar as sugestões recebidas, Oddone informou que encaminhará ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a necessidade de avaliar a estrutura de refino no País. As sugestões relativas à adoção de mecanismos tributários para reduzir a volatilidade dos preços dos combustíveis serão encaminhadas aos Ministérios da Fazenda e de Minas e Energia.

Política de preços. A Petrobrás repassa a variação da cotação do petróleo no mercado internacional, para cima ou para baixo. Desde que alterou sua política de preços, em julho do ano passado, a estatal passou a promover reajustes quase diários dos combustíveis. O fato gerou insatisfação do setor de transporte rodoviário, já que, nos doze meses que antecederam a greve dos caminhoneiros, o preço do diesel na bomba subiu 15,9%, enquanto a inflação acumulada no período foi de 2,76%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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