ANP: País teve déficit recorde de petróleo no trimestre

O Brasil registrou saldo comercial negativo de US$ 2,548 bilhões na conta de petróleo nos primeiros três meses deste ano, conforme dados divulgados hoje pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O valor significa um aumento de 180,9% em relação ao primeiro trimestre do ano passado e é o mais elevado nos últimos oito anos. Em comparação com o primeiro trimestre do ano passado, o déficit no setor somou US$ 907,132 milhões e, em igual período de 2006, o déficit havia sido de apenas US$ 411,7 milhões. Na ocasião, o governo chegou a anunciar que o País estaria atingindo a auto-suficiência na produção e consumo de petróleo, o que até agora não aconteceu. Nesse total estão incluídos as exportações e importações de óleo bruto, derivados e gás natural.No mês de março, isoladamente, o País registrou déficit de US$ 1,8 bilhão, conforme os dados da ANP, indicando uma aceleração nas compras externas dos produtos. O maior rombo foi no comércio de óleo bruto, no qual a diferença entre as exportações e importações atingiu US$ 769 milhões, o volume mais elevado já contabilizado pela ANP em um único mês desde o ano 2000. Nos derivados, item no qual o País costuma registrar superávits expressivos, houve déficit de US$ 582 milhões em março e as compras de gás natural da Bolívia totalizaram US$ 227 milhões naquele mês.O principal fator para o forte aumento no déficit em março foi a diferença de preços entre o petróleo que o Brasil exporta e o que o País importa. Pelos dados da ANP, o óleo importado registrou preço médio de US$ 100,49 por barril em março, enquanto os preços das exportações ficaram em torno de US$ 81,86 o barril, com uma diferença de US$ 18,64 por barril. No caso dos derivados, a diferença atingiu US$ 22,34 por barril, com o preço de exportação atingindo US$ 83,96 o barril e os importados situando-se em US$ 106,30 por barril.As importações de gás natural da Bolívia somaram US$ 672 milhões no primeiro trimestre deste ano, conforme a ANP. Isso significa aumento de 78,10% em relação ao contabilizado em igual período do ano passado. Além do maior volume médio observado no início deste ano, houve aumento de 39% nos preços médios pagos pelo gás natural importado. No período acumulado de 12 meses até março deste ano, o Brasil desembolsou US$ 2,1 bilhões na compra de gás natural da Bolívia, conforme a ANP.O movimento financeiro com petróleo e derivados no trimestre atingiu US$ 10 bilhões, o que corresponde a uma média de US$ 3,3 bilhões por mês. Mantido esse ritmo, o movimento total de 2008 deverá superar os US$ 40 bilhões até o final do ano, o que é quase o dobro do contabilizado ao longo de 2007, que registrou comércio total no valor de US$ 20,69 bilhões.

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