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ANP vai furar poços nos próximos meses

Agência provoca polêmica ao assumir gastos de pesquisa no pré-sal

Kelly Lima e Tatiana Freitas, O Estadao de S.Paulo

08 de agosto de 2009 | 00h00

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) pretende iniciar "nos próximos meses" a atividade de perfuração de poços em áreas ainda não concedidas do pré-sal, para mapear as potencialidades dos blocos. Ontem, o diretor-geral da agência, Haroldo Lima, enviou ofício à Petrobrás solicitando a formação de um grupo técnico para elaborar "um programa e determinar as condições de perfuração". No ofício, Lima citou as reuniões da comissão interministerial e a conclusão do grupo sobre a necessidade de aprofundar "os conhecimentos geológico e geofísico" das áreas do pré-sal. Em passagem ontem pelo Rio, para um encontro com o ministro de Energia peruano Pedro Sanchez, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, confirmou a intenção do governo de intensificar o poder da ANP na sondagem de áreas potenciais para exploração. O ministro salientou que a agência não será "operadora", apenas fará pesquisas, mas evitou detalhar, a pedido direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista publicada ontem pelo jornal Valor Econômico, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, anunciou que o trabalho de perfuração da ANP terá como objetivo elevar o conhecimento da região e, no caso de identificação de uma megajazida, o governo pode decidir entregar a exploração da área à Petrobrás. No mês passado, o superintendente de Planejamento e Pesquisa da ANP, Florival Carvalho, havia revelado que diretoria da agência havia encaminhado a proposta de perfuração no pré-sal à ministra Dilma. "Segundo os especialistas, as reservas do pré-sal seriam de 50 bilhões de barris. Mas isso é puro chute. Sem perfurar, não dá para saber. Pode ser muito mais que 50 bilhões e pode ser menos também", disse Carvalho, na ocasião. Indagado sobre qual seria a vantagem de a ANP fazer perfurações de sondagem e não a nova estatal, Lobão foi ainda mais lacônico: "Se você pudesse fazer o favor de não me perguntar isso...", desconversou. Ele frisou que essa atividade não constou das propostas de anteprojetos apresentadas a Lula para a criação do novo marco regulatório do setor, já que não há necessidade de alterar a lei atual para isso. "Nós só vamos mexer na lei em pontos que acreditamos que precisam ser melhorados", disse. Ao mesmo tempo que as perfurações realizadas pela ANP podem contribuir para o sucesso dos leilões, elas transfeririam parte do risco exploratório, hoje centralizado nas operadoras, para a União. "O custo de perfuração de um poço é muito alto e está associado ao risco assumido pelas empresas na atividade de exploração", afirma o ex-diretor da ANP David Zylbersztajn, consultor da DZ Negócios com Energia. "Furar é um papel das operadoras", completa. Segundo ele, o custo de perfuração de um poço pode variar de US$ 50 milhões a US$ 200 milhões. Somente o aluguel diário de uma sonda de perfuração está entre US$ 400 mil e US$ 600 mil. "Se você encontra um poço seco, é um desperdício de dinheiro." De acordo com Zylbersztajn, "há milhões de outros métodos" para se obter mais informações sobre as reservas e a ANP não precisaria se aventurar nisso.

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