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ANS: dívida da Adress pode atingir R$ 40 mi

A dívida da Adress junto aos prestadores de serviços, funcionários e fisco pode chegar a R$ 40 milhões. O liquidante desta operadora de planos de saúde, nomeado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), trabalhando há três dias, somente hoje (10/01/2000) conseguiu desbloquear o banco de dados, que estava lacrado por várias senhas.As primeiras informações obtidas revelaram que diversos bens da Adress já haviam sido penhorados, que o aluguel da sede não vem sendo pago há meses, assim como estão em atraso as contas de luz e água, os salários dos funcionários e as indenizações trabalhistas. E mais: há indícios de apropriação indevida de mensalidades dos consumidores, de contribuições previdenciárias descontadas de funcionários, de ISS e IR retidos na fonte e não repassados.Como o acesso aos dados relativos à composição da carteira de consumidores dos planos de saúde da Adress ainda não foi obtido, a ANS estará publicando amanhã, quinta-feira, em dois jornais de grande circulação no Rio, uma convocação destes consumidores para que compareçam a partir de amanhã, na sede da empresa, munidos de cópias do contrato e do recibo da última mensalidade paga.Com esta medida, a ANS pretende agilizar o processo de conhecimento da carteira de clientes da Adress, com objetivo de transferir esta carteira para outra operadora de planos de saúde, visando a restabelecer o atendimento assistencial no mais curto prazo possível. Início das dificuldadesAo iniciar suas atividades em abril de 2000, a ANS constatou dificuldades econômico-financeiras na Adress, que ainda estava sob o controle de Elysio Alves Balbino. Naquele mês, quando constatou um rombo de R$ 4,5 milhões, a Agência convocou a operadora para uma reunião. Os representante da Adress anunciaram que Balbino ia transferir o controle e que a operadora apresentaria um programa de recuperação econômica e de novas metas da empresa. Neste período, prestadores de serviços já denunciavam o não recebimento de seus créditos e os consumidores reclamavam o não atendimento assistencial.Ante os insistentes pedidos de esclarecimentos da ANS, o novo controlador da Adress, Maurício Menezes, apresentou em junho apenas uma carta de intenções e, como o quadro da operadora não mudava, em agosto a Agência exigiu a apresentação, em 30 dias, do plano de recuperação da empresa. Pressionada, a Adress pediu e obteve novo prazo de apresentação do plano de recuperação, mas outra vez não cumpriu o compromisso.Como a situação da operadora se agravava, com o rombo passando de R$ 4,5 milhões para R$ 17,5 milhões e o novo controlador não dando mostras de solucionar as pendências, a Diretoria de Normas e Habilitação de Operadoras formalizou então o processo para a implantação do regime de Direção Fiscal na Adress, na tentativa de preservar a empresa e, conseqüentemente, retomar o atendimento, em defesa do interesse dos consumidores.A implantação da Direção Fiscal ocorreu no dia 27 de dezembro. Porém, a Adress fechou as portas de sua sede, obstruindo os trabalhos da ANS. A direção da empresa não atendeu a convocação para reunião na ANS, publicada em jornal de grande circulação no Rio, no dia 2 de janeiro.Seguiu-se, assim, a liquidação extrajudicial da operadora, decretada no dia 5 de janeiro. Naquele momento, a Agência colheu informações de que o montante da dívida junto aos prestadores, funcionários e fisco poderia estar chegando a R$ 40 milhões.Amanhã, a ANS estará apresentando os autos do processo de liquidação da Adress ao Juiz Titular da 11ª Vara Federal, Dr. José Antônio Lisboa Neiva, em razão do mandado de segurança impetrado pela operadora, que tenta suspender a liquidação.

Agencia Estado,

10 de janeiro de 2001 | 20h45

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