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Antecipação da restituição do IR só vale a pena para quem está endividado

Vou sair de férias dia 29 e as recebi dia 22. Ainda assim, tenho algumas dívidas (nada em atraso, mas as contas do mês mesmo). Quero viajar no período de descanso. Minha gerente recomenda que eu antecipe a restituição do IR com um empréstimo. O que acha?

FÁBIO GALLO É PROFESSOR , DE FINANÇAS DA FGV, DA PUC-SP, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2012 | 03h03

Antecipar a restituição do Imposto de Renda só vale a pena para aquele que está endividado e pagando taxas de juros altas, como cheque especial e crédito rotativo do cartão de crédito. As pessoas muitas vezes não se dão conta que a antecipação do IR é uma forma de empréstimo que o banco tem como garantia a sua restituição e que há incidência de juros, além de taxas que não costumam ser explicitadas quando há a oferta do crédito. Aquela pessoa que estiver com dívidas precisar comparar os juros das operações e, depois disso, optar pela mais em conta para conseguir organizar a vida financeira. Friso que não se deve antecipar o IR para consumo. Isso de nenhuma forma. Não é vantajoso. Deve ser lembrado ainda que você está prestando contas ao Fisco e a sua restituição poderá demorar a ocorrer ou até mesmo a sua declaração pode conter erros, gerando redução do valor da restituição ou atraso no pagamento caso caia na malha fina. No final do ano, o banco vai querer acertar as contas e você terá que ter dinheiro para isso e sem a restituição na sua mão. Quanto à recomendação recebida pelo nosso leitor, recomendo trocar de gerente.

Li aqui nesta coluna que a inflação deve ficar em 6% neste ano. Se a inflação corrói o poder de compra, acha que, neste momento, o melhor investimento é controlar ainda mais os gastos de agora em diante? Em quais gastos do dia a dia a inflação pesa mais?

A preocupação do nosso leitor é correta, a inflação corrói o poder de compra da moeda e antes de pensar em investimentos devemos fazer a nossa lição de casa e controlar com maior rigor os nossos gastos. Muitas pessoas não têm forma alguma de controle do seu orçamento familiar e assim não sabem como a inflação afeta os seus gastos. Sobre a inflação prevista para 2012, realmente o mercado tinha no final do ano passado a expectativa do IPCA ser superior a 6%. Mas, conforme o ano começou a avançar percebeu-se que esse número seria menor, hoje o mercado trabalha com o IPCA em 5,27% para 2012. Esse índice registrou em janeiro 0,56% e, em fevereiro, a elevação foi de 0,45%, ocorrendo de acordo com as expectativas de mercado, resultados que trouxeram a variação acumulada nos últimos 12 meses para 5,84%. A maior pressão sobre os preços ficou no item educação. No entanto, isto não quer dizer que no seu orçamento o item educação tenha sido o que mais pesou. A medida de inflação é uma média ponderada dos diversos preços que afetam as famílias, mas cada família é afetada de modo particular. Assim, sentindo os efeitos da subida de preços de maneira própria. Em outros termos, gastos com educação podem ser de pouca relevância no total dos custos para uma família e, para outra, ser o item de maior peso no orçamento. Daí a importância de cada família controlar os seus gastos e conhecer quais os efeitos da inflação sobre eles. Está é a melhor forma de conseguir controlar melhor as suas contas e até gerar economia.

As carteiras dos fundos de renda fixa são compostas por títulos do Tesouro Direto? Se são, não vale a pena entrar no fundo, já que há taxa de administração concorda?

Esta é uma pergunta interessante e que muitos investidores não estão atentos pelo fato de não acompanharem e terem informações sobre suas próprias aplicações financeiras. As carteiras dos fundos de renda fixa são fortemente carregadas de Tesouro Direto o que faz com que elas tenham rentabilidade muito próxima aos títulos públicos, mas sofrem descontos relativos às taxas de administração e Imposto de Renda. Por outro lado, o investidor em títulos do Tesouro Direto também tem que considerar a incidência de custos relativos a três taxas: de negociação de 0,10% do valor; de custódia de 0,30% ao ano; e de administração - tudo isto além do IR. No entanto, o investidor deve comparar os dois tipos de investimento porque os custos de aplicação direta no Tesouro Direto usualmente são menores que os gastos do investimento em fundos. Mas, lembrando que investir diretamente exige que você faça a gestão de sua carteira e isto requer certo grau de conhecimento. No caso dos fundos, a gestão fica nas mãos de profissionais e é por isso que há o custo da taxa administrativa. Mas recomendo que faça a comparação das taxas com dados efetivos do fundo que você tenha dinheiro aplicado porque um dos pontos importantes é comparar a taxa de administração que está sendo cobrada. Digo isso porque algumas corretoras não cobram taxa alguma de seus clientes de Tesouro Direto. Para te ajudar nessa comparação, confira a lista das corretoras e taxas cobradas por elas na negociação de títulos públicos neste link: www.tesouro.fazenda.gov.br.

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