'Anteninhas' serão tecnologia para a era dos smartphones

Uso de internet pelo celular será multiplicada por 20 até 2016, o que representa um desafio para as operadoras

FERNANDO SCHELLER, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2012 | 03h09

O desafio de tecnologia para a era dos smartphones na telefonia celular é grande - segundo dados da Cisco, o tráfego da internet móvel vai crescer 19 vezes no Brasil até 2016, ou quase cinco vezes a média mundial -, mas a solução tecnológica para atender a essa demanda está em antenas de pequeno porte que serão espalhadas pelas cidades. Será preciso instalar uma grande quantidade delas para substituir parcialmente o modelo tradicional, que fica no alto de torres ou no topo de edifícios.

"As antenas maiores não são adequadas para alimentar o tráfego de dados, especialmente nas grandes cidades, onde há um grande número de pessoas usando a rede ao mesmo tempo no mesmo lugar", explica João Moura, presidente da Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (TelComp).

Ele usa o exemplo da Avenida Paulista: no início da noite, há milhares de pessoas falando e usando a internet no local. Por isso, é preciso que haja mais fontes de sinal próximas aos aparelhos, responsáveis pela cobertura de um perímetro bem menor do que o projetado para as antenas tradicionais (veja ao lado). É o que já ocorre nas redes de metrópoles como Londres, Nova York, São Francisco e Munique.

Segundo executivos da Oi e da TIM, o mercado brasileiro caminha para essa realidade tanto nos atuais serviços em 3G quanto na introdução do 4G. Além das antenas externas, o vice-presidente de planejamento da Oi, João de Deus Pinheiro de Macedo, explica que também haverá multiplicadores internos de sinal instalados pelas operadoras em lugares fechados para reduzir a sobrecarga das miniantenas externas. "Esse sinal poderá estar em uma livraria. Ao entrar, o cliente passará a ser atendido por ele", diz Macedo.

Este tipo de subterfúgio já é usado hoje pela TIM nos aeroportos de Congonhas, em São Paulo, e de Cumbica, em Guarulhos. O diretor do mercado de atacado da TIM Brasil, Antonino Ruggiero, diz que a operadora criou um uma rede Wi-Fi que identifica automaticamente seus clientes e transfere o tráfego de dados desses usuários do 3G para o sinal interno. "Já temos cobertura Wi-Fi em 18 aeroportos e vamos chegar a 55 terminais até o fim do ano", afirma Ruggiero.

Para que o uso das "anteninhas" se popularize, é preciso que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) regulamente o uso desses aparelhos. Segundo Moura, da TelComp, é necessário também que a agência faça cumprir a regra que obriga as operadoras com maior cobertura de fibra óptica a compartilhar sua infraestrutura com as concorrentes. Isso é necessário para que cada empresa não seja obrigada a fazer um cabeamento próprio. "Isso exigiria quebrar as calçadas várias vezes, o que nenhuma prefeitura vai permitir", diz o especialista.

Enquanto o compartilhamento não vira realidade, a maior parte das operadoras se garante investindo em ativos próprios para não evitar um "apagão" da internet móvel. A Oi afirma que a maior parte dos R$ 24 bilhões de investimentos previstos para os quatro próximos anos serão concentrados em soluções para a internet 3G e 4G. Já a TIM, única operadora celular "puro-sangue" do Brasil, corre atrás de alternativas para aumentar sua rede de fibra óptica. O processo começou com a compra da Intelig, há três anos, e continuou com a aquisição dos 5,5 mil quilômetros de fibra da AES Atimus, em 2011.

Fabricantes. Como a tendência da substituição dos telefones celulares comuns é irreversível - de acordo com estimativas da consultoria IDC, serão vendidos 2,5 milhões de tablets e mais de 15 milhões de smartphones no País este ano -, as fabricantes de antenas de pequeno porte estão se preparando para a demanda que surgirá pelo produto no Brasil. Disputam esse mercado empresas como Nokia Siemens Networks, Ericsson, Huawei e Alcatel-Lucent.

Uma das preocupações no desenvolvimento das "small cells" - que na verdade são caixas com antenas embutidas - é evitar a poluição visual das cidades, um fator de conflito entre as operadoras e as administrações municipais do País. "A rede do País, hoje dominada pelas grandes instalações, vai ficar mais heterogênea", diz Juan Pablo Lopez Anadon, diretor de soluções da Alcatel-Lucent Brasil. O executivo afirma que, dependendo da demanda, a Alcatel poderá produzir o equipamento localmente.

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