Antes das eleições, mais crédito de bancos públicos

Os bancos públicos aumentaram seus empréstimos em 1,7%, entre agosto e setembro (+ R$ 24,3 bilhões), e em 17,3%, nos últimos 12 meses (+ R$ 221 bilhões), muito acima da média do sistema bancário em geral. O aumento contrasta com a estagnação da economia. Embora não se possa falar numa enxurrada de crédito público, os bancos oficiais foram usados para estimular o consumo e a liquidez às vésperas de um pleito presidencial muito disputado.

O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2014 | 02h03

Como um todo, os saldos das operações de crédito registraram elevações de 1,3% no mês e de 11,7% em 12 meses, atingindo R$ 2,9 trilhões. Os bancos públicos aumentaram sua participação de 50,6%, em setembro de 2013, para quase 53,2%, no mês passado. Entre agosto e setembro, só o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que mais depende de transferências do Tesouro, via emissão de títulos públicos, elevou em 2,3% seus empréstimos - e seu presidente, Luciano Coutinho, pleiteia mais recursos federais.

Enquanto isso, a participação dos bancos privados nacionais caiu, em 12 meses, de 33,7% para 32,2%; e a dos estrangeiros, de 15,6% para 14,7%.

Foi a participação dos bancos públicos que determinou um aumento real da oferta de crédito, de 4,3%, em agosto, para 4,6%, em setembro, calculou a área econômica do Banco Itaú. Mas essa alta não basta para tornar o crédito um fator expressivo de retomada econômica.

O saldo das operações com recursos livres cresceu apenas 0,7% no mês e 4,8% em 12 meses, segundo o Banco Central. Cálculos com ajuste sazonal apontam para a direção contrária: recuo de 2,1% da média diária de concessões de crédito livre. Os tomadores preferem o crédito direcionado, que cresceu 2% em setembro e 20,6% em 12 meses, atingindo R$ 1,366 trilhão. São empréstimos com taxas inferiores às de mercado, com destaque para as linhas do BNDES (baseadas na TJLP, de 5% ao ano), crédito imobiliário e agrícola.

Em setembro, houve leve recuo das taxas médias cobradas dos tomadores, de 21,1% ao ano para 21% ao ano, mas não de todas as taxas (no direcionado, algumas taxas chegaram a subir). É possível que a baixa média de juros se deva ao aumento da concorrência antes da alta da Selic, pois muitos bancos operam aquém da capacidade. Os tomadores, principalmente as pessoas físicas, continuam avessos ao endividamento, temendo ficar inadimplentes. Se o juro subir, é provável que o crédito volte a perder força.

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