Antes de chegar, Google Glass já tem concorrentes

Óculos computadorizados da empresa de buscas, que só serão lançados em 2014, inspiram um novo filão nos Estados Unidos

ANNE EISENBERG, THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2013 | 02h17

Dentro de muito pouco tempo, muitas pessoas passarão a ver o mundo através de óculos computadorizados, e não apenas os fabricados pelo Google. Estimuladas pelo lançamento do Google Glass, algumas companhias estão se aventurando neste mercado incipiente para colocar mensagens eletrônicas, mensagens de texto e internet diante dos olhos das pessoas enquanto elas pedalam em suas bicicletas, fazem compras no supermercado ou fingem prestar atenção nas reuniões.

Muitos destes novos óculos terão um visual diferente dos óculos do Google e se destinarão a mercados especializados, disse Shane Walker, analista da companhia de pesquisas IHS, que prepara um relatório sobre o considerável aumento previsto na venda de óculos inteligentes e produtos relacionados.

A Recon Instruments criou óculos de sol inteligentes desenhados para as duras condições das provas de triatlo e para outras situações severas, que podem não ser adequadas para o estilo mais sério do produto do Google. Os óculos de sol da Recon, chamados Jet, mostram o batimento cardíaco e outros dados sobre a saúde da pessoa, bem como indicações para ciclistas que se perderam a caminho de uma competição.

Hologramas. Os SpaceGlasses com lentes duplas da Meta têm dois projetores - um para cada olho (os do Google têm um projetor). Os dois projetores podem criar imagens em 3D de objetos virtuais, como teclados suspensos no ar como hologramas, na frente dos usuários. Com a ajuda de um sensor de movimentos da mão, os usuários podem digitar num teclado virtual ou jogar xadrez virtual. Vários destes novos óculos terão recursos semelhantes aos dos Google Glass, inclusive notificação de texto e fotografia sem precisar usar as mãos.

Críticos têm se preocupado com a possibilidade de estes óculos computadorizados se tornarem mais uma distração tecnológica - uma nova maneira de trocar o mundo real pelo virtual. Estes óculos também correm o risco de provocarem conflitos em situações sociais.

"Eles não serão a melhor coisa a usar numa festa", disse Clive Thompson, autor de Smarter Than You Think: How Technology Is Changing Our Minds for the Better (Mais esperto que você pensa: como a tecnologia está mudando nossas mentes para melhor, em tradução livre).

Mas Thompson acha que a futura geração de óculos inteligentes oferecerá benefícios inusitados, à medida que forem criados aplicativos que permitam que eles mostrem não apenas textos, e-mails e feeds de notícias, mas uma variedade de dados úteis sobrepostos ao que as pessoas estão vendo no mundo real. Os mecânicos que observam o motor de um carro para consertar um carburador, por exemplo, podem consultar um manual virtual ou uma animação de computador.

Até o momento, a maior parte dos óculos inteligentes foi vendida a desenvolvedores que estão criando aplicativos para eles, disse Walker da IHS. Até o fim do ano, serão vendidos cerca de 60 mil - inclusive 10 mil óculos do Google -, gerando uma receita de cerca de US$ 35 milhões, acrescentou.

Preço. Os primeiros a adotarem o Google Glass competiram num concurso e pagaram US$ 1.500 para comprar cada óculos, mas o preço cairá quando o Google os lançar oficialmente no ano que vem, previu Walker. "O preço precisa chegar até a faixa de um tablet ou de um smartphone."

Um mercado considerável deve se desenvolver em torno dos aplicativos relacionados aos esportes e à saúde, acrescentou, quando os óculos computadorizados passarem a permitir que as pessoas monitorem seus treinos e compartilhem o que estão vendo com os outros.

O Recon Jet, por exemplo, tem embutido um microcomputador de um giga, uma câmera de alta definição, GPS, Wi-Fi e sensores para exibir os dados relativos ao treinamento, como potência de pedalada e rotações por minuto. Os óculos, que serão lançados em fevereiro, custarão US$ 599.

Os SpaceGlasses da Meta são provavelmente os mais potentes. São pesados, robóticos e precisam ser conectados por cabo a um computador para realizarem tarefas. Mesmo assim, a Meta vendeu cerca de US$ 800 mil em produtos a mais de 1.200 desenvolvedores, disse o fundador Meron Gribetz. Uma versão mais leve, vendida a US$ 667, chega em abril.

Já o M100 da Vuzix, que será lançado em novembro por US$ 999, se conecta por Bluetooth ou Wi-Fi a smartphones que podem ser carregados no bolso /TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA

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