Rafael Arbex | ESTADAO CONTEUDO
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Antes de crescer no País, CVS poderá fechar até 25% das lojas da Onofre

Em meio a uma disputa em câmara de arbitragem para tentar reaver parte do que pagou pela Onofre, gigante americana deve fechar lojas que não dão resultado antes de se expandir no Brasil

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

26 Julho 2016 | 05h00

Quando a rede americana CVS, que tem mais de 7 mil lojas nos Estados Unidos, chegou ao Brasil, em 2013, a expectativa era grande. Esperava-se que a aquisição da Onofre fosse só o primeiro passo da companhia. Três anos mais tarde, porém, quase nada ocorreu. A Onofre, hoje com 47 lojas, perdeu posições no mercado e nem figura entre as dez maiores redes do País. Antes de crescer, o negócio que hoje fatura R$ 375 milhões, segundo apurou o Estado, poderá fechar até um quarto de suas lojas atuais.

Em 2013, a CVS chegou ao País de forma agressiva, pagando R$ 600 milhões pela Onofre, que pertencia à família Arede – à época, o valor foi considerado alto por analistas. Mas o processo de transição não estaria sendo fácil. Agora, a CVS estaria tentando reaver, por meio de arbitragem, cerca de R$ 100 milhões por causa de problemas do negócio que teriam sido revelados posteriormente. O Estado apurou que a demanda estaria sendo rebatida pelos antigos sócios da rede.

Nos últimos dois anos, a Onofre se dedicou a mudanças internas – como a adaptação do negócio às normas americanas de compliance –, enquanto a CVS chegou a considerar passos ousados no Brasil, que não se concretizaram. Um deles foi a compra da atual vice-líder do setor, a São Paulo/Pacheco, por cerca de R$ 6 bilhões.

Ao Estado, uma fonte afirmou que outras dez redes de pequeno e médio porte teriam sido avaliadas pela americana, que acabou não fechando negócio algum para se dedicar à reestruturação da Onofre.

Redução. Uma das medidas ainda a serem tomadas dentro deste processo seria o fechamento de lojas de pequeno porte (de cerca de cem metros quadrados), que representam 25% do total dos pontos da Onofre (ou cerca de 12 unidades).

Após mudar o design da marca, a Onofre agora abriu algumas lojas – entre elas a de Alphaville – que devem representar o futuro da rede, com cerca de 300 metros quadrados de área. “As lojas pequenas não são rentáveis, pois o custo de mantê-las abertas é quase o mesmo das unidades maiores”, explicou uma fonte.

Dados da Associação Brasileira da Indústria de Farmácias (Abrafarma) confirmam o processo de encolhimento da Onofre em relação à concorrência. Em 2011, a companhia aparecia na 8.ª posição do ranking nacional da entidade. No ano passado, caiu para o 17.º lugar.

Para especialistas, a opção de reorganizar a casa sem crescer de forma significativa pode ser um problema sério. “O total de lojas da Onofre é quase equivalente ao número de unidades que a Raia Drogasil abriu somente entre abril e junho”, disse o analista Guilherme Assis, do banco Brasil Plural.

Em relatório recente, Assis alertou que, caso a tendência de recuperação da economia se confirme, o crescimento do setor de drogarias deverá ficar mais próximo do resultado geral do mercado. Em 2015 e 2016, em razão da crise, o setor se descolou da economia e ganhou muito valor na Bolsa, mas, à medida que fica com mais dinheiro no bolso, o consumidor deve dar mais atenção a itens que ficaram em segundo plano nos últimos anos, como móveis, eletrodomésticos e roupas.

Procurada, a Onofre não deu entrevista. Disse apenas que suas ações atuais visam a uma estratégia de longo prazo.

A família Arede não retornou o contato da reportagem até o fechamento da edição. No fim de 2015, quando o Estado revelou a disputa com a CVS, fonte próxima à família disse que os empresários viam o pedido da americana como infundado.

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