Anúncio da Vale sobre reajuste de preço mexe com ações na Bolsa

A Companhia Vale do Rio Doce informou, em comunicado distribuído nessa manhã, que concluiu as negociações sobre os preços do minério de ferro para 2005 com a Nippon Steel, maior siderúrgica japonesa. Como conclusão das negociações, os preços do minério de ferro de Carajás e do Sistema Sudeste, do FOB de Ponta Madeira e de Tubarão, respectivamente, subirão 71,5% em relação a 2004. A Vale do Rio Doce vinha buscando um reajuste dos preços do minério de ferro de 90%, considerado elevado pelos analistas.O anúncio da Companhia Vale do Rio Doce mexeu com os negócios na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Como os investidores esperavam um aumento muito menor para o ferro, as ações de mineradoras, como a própria Vale e a Caemi, estão em alta no mercado doméstico, enquanto os papéis de empresas que usam o minério como insumo, como algumas siderúrgicas, recuam. Às 11h10, as ações ordinárias (ON, com direito a voto) da vale subiam 5,99%. Já as preferenciais (PN, sem direito a voto da companhia) subiam 5,52%. Para as siderúrgicas, o sinal é inverso. No mesmo horário, as ações PN da Acesita recuavam 4,16%; as preferenciais da Companhia Siderúrgica Tubarão, 3,78%; e as preferências da Usiminas, 2,94%.No mercado de juros, o impacto da notícia também tem viés negativo, por sinalizar para um aumento de custos maior que o esperado para empresas que usam o aço como matéria-prima, o que tenderia a pressionar os índices de inflação. Dentro da política monetária do Banco Central, que visa garantir o controle da inflação por meio da regulação dos juros, este cenário contribui para a manutenção das taxas em alta.Para o comércio exterior brasileiro, num momento em que esquenta o debate sobre a valorização do real e a alta dos juros, o impacto do reajuste da Vale tende a ser positivo. Cálculos preliminares de um operador da bolsa ouvido pela Agência Estado indicam que só complexo mineração poderia elevar em US$ 3 bi a US$ 4 bi as exportações do País neste ano.

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