Wilton Junior/Estadão - 4/10/2013
Wilton Junior/Estadão - 4/10/2013

Anúncio de acordo irrita credores externos da Oi

Mudança foi aprovada no mesmo dia em que o conselho garantiu apoio ao plano de recuperação sustentado por atuais acionistas da operadora

Agências, Reuters

06 de novembro de 2017 | 05h00

O Comitê Internacional de Detentores de Bônus da operadora Oi – que está em recuperação judicial, com dívida estimada em R$ 64 bilhões – considera a aprovação de mudanças na proposta de recuperação judicial da empresa pelo conselho de administração uma “inaceitável violação” de padrões de governança corporativa, segundo nota divulgada ontem.

O conselho da operadora aprovou na sexta-feira um acordo proposto por um pequeno grupo de credores conhecido como G6, que vinha negociando com a controladora Pharol SGPS – antiga Portugal Telecom – e com o acionista minoritário Nelson Tanure, que tem participação na companhia por meio do fundo Société Mondiale. A proposta foi discutida no mesmo dia em que o conselho decidiu apoiar o plano de recuperação judicial costurado pelos atuais acionistas da tele.

Por meio de comunicado, o Comitê Internacional de Detentores de Bônus da Oi diz que as ações do conselho foram adotadas para “forçar” a aceitação de um plano visando a “defender os interesses dos atuais acionistas minoritários controladores em detrimento de todos os demais agentes envolvidos e da própria companhia”.

O grupo de credores ainda convocou todas as partes interessadas no processo a agir para “desfazer essa manobra claramente ilegal” e aprovar um plano que reúna apoio de todos os envolvidos.

Busca por aval. As mudanças propostas para o plano de recuperação judicial devem ser apresentadas à Justiça do Rio de Janeiro, que supervisiona o processo de recuperação, o maior já visto na América Latina. Assim que os termos forem entregues à corte, a Oi buscará o aval dos credores em assembleia na próxima sexta-feira, quando o futuro da empresa deve ser decidido.

No entanto, a maior parte dos credores vem se posicionando abertamente contra a posição de Tanure e dos atuais acionistas da companhia. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), órgão para o qual a Oi deve cerca de R$ 20 bilhões, também é contrária ao modelo atual, que inclui as dívidas com a agência na recuperação judicial.

O processo de recuperação judicial se arrasta desde junho de 2016 e o governo já acenou com a possibilidade de intervir na operadora, embora diga que essa é uma “última opção”. 

Na semana passada, as ações da Oi tiveram forte alta com a notícia de uma proposta conjunta da China Telecom e do fundo americano TPG, que estariam dispostos a investir R$ 10 bilhões na empresa. Segundo fontes, trata-se da saída preferida do Planalto para os problemas da operadora de telecomunicações. 

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