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Anúncio de medidas nesta 5ª não esgota arsenal do governo

Empresários e Lula acertam criação de comissão para discutir novas ações a partir de sugestões apresentadas

Lu Aiko Otta, de O Estado de S. Paulo, e Leonencio Nossa, da Agência Estado ,

11 de dezembro de 2008 | 15h17

O anúncio de medidas anticrise que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez nesta quinta-feira, 11, não esgotará o arsenal do governo. Na reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com empresários, ficou acertado que será criada uma comissão para discutir novas ações a partir das sugestões apresentadas nesta quinta. Esse grupo terá até o final do ano para definir novas providências do governo, segundo informou o empresário Jorge Gerdau. Até lá, haverá outras rodadas de diálogo. Veja também:Lula determinou revisão de juros em bancos públicos, diz DilmaReclamações de empresários foram diversificadas, diz MeirellesSerra anunciará medidas de estímulo fiscal na sexta-feiraDesemprego, a terceira fase da crise financeira globalDe olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise   "Há algo no forno", acrescentou o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto. "Não sabemos no que vai se converter, qual será o tamanho do pão - para não dizer pizza". Ele comentou que o cheiro da massa, por enquanto, está bom, e que a tal medida não deve ser anunciada hoje. "Meu sentimento é que será para os próximos dias", completou. Os dois empresários ressaltaram que as providências a serem adotadas pelo governo serão decisivas para a definição do nível de investimentos em 2009. Eles elogiaram a disposição do governo em reconhecer que há um problema e discutir soluções. "O governo está disposto a fazer, naquilo que lhe compete, tudo o que é necessário para evitar o agravamento do quadro", disse Monteiro Neto. "Do lado do setor privado, é preciso agir para se sustentar o nível dos investimentos".  Custeio Segundo os relatos, Lula afirmou na reunião que poderá reduzir as despesas com custeio da máquina pública. Em reunião com 29 empresários, no Palácio do Planalto, ele reafirmou que fará "o que for possível" para manter o investimento, segundo relato de participantes do encontro. "O investimento é uma prioridade e está garantido. O que podemos fazer eventualmente é reduzir o custeio", disse o presidente. "Se tiver de mexer, vai ser no custeio e não no investimento", acrescentou. As declarações do presidente foram relatadas pelo presidente da TAM, David Barioni Neto, e pelo presidente da CSN, Benjamin Steinbruch. Lula, no encontro, informou aos empresários que trabalhará até no final de semana para apresentar, ainda neste ano ou no início de 2009, medidas para garantir a manutenção do emprego. "Tenho consciência, depois de participar dessa reunião, de que é preciso focar no crédito de consumo e no crédito de produção. Esses são os dois problemas", disse o presidente, segundo relato dos participantes. Tanto Lula quanto o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ouviram de boa parte dos empresários reclamações sobre a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa Selic em 13,75% ao ano. "Ninguém chorou, mas muitos perguntaram por que não se aproveita o momento para desonerar o investimento", contou Armando Monteiro Neto. Benjamin Steinbruch disse que o presidente quer apresentar "o mais rapidamente possível" novas medidas. Segundo o empresário, Lula não chegou a pedir para os empresários não demitirem, mas procurou ouvir a visão de cada setor para elaborar medidas para reduzir o impacto da crise mundial na economia brasileira. O empresário relatou que, durante o encontro, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, fez uma defesa da política de juros. "Ele disse que, quando puder fazer, fará", relatou Steinbruch, referindo-se à redução da taxa Selic. "Ele disse que é o que mais gostaria de fazer e é o melhor para o BC", acrescentou. Na reunião, não se falou em medidas específicas, mas Lula e os ministros tentaram demonstrar que estão atentos. "Os discursos do governo e dos empresários estão alinhados e a sensibilidade do presidente em relação à crise e a percepção dele do futuro", disse Constantino de Oliveira Júnior, presidente da Gol. O empresário disse que o setor aéreo brasileiro terá um crescimento de 8,4% neste ano e 6% em 2009. A Gol, segundo ele, manterá investimentos de US$ 1,9 bilhão até 2010. "O presidente ressaltou o problema da escassez de crédito tanto para o consumo quanto para a produção", disse. O presidente Lula disse que o Brasil ocupa as melhores posições entre os países e que, tão logo passe a crise, o país terá mais oportunidades. "O setor aéreo vê a crise com preocupação, mas o Brasil está bem posicionado em relação a outros países", disse. Barioni Neto, da TAM, também demonstrou otimismo. "No geral, todos estão otimistas. As empresas disseram para o presidente que não têm previsão de demitir e estamos conversando com os sindicatos. O que eu mais gostei de ouvir do presidente é que, se tiver que mexer, vai mexer no custeio e não no investimento", disse. A TAM, de acordo com ele, manterá investimentos de US$ 6,9 bilhões até 2018. "Cada setor passou sua leitura da crise. O que é importante é manter o investimento e focar no otimismo", afirmou. Ele relatou que, no encontro, Lula e os ministros disseram que o governo poderá apresentar pontualmente medidas como desoneração e incentivos.

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