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Anúncio de paralisação da Usiminas surpreende funcionários

Clima entre empregados é de pânico e alguns fazem denúncias de sucateamento da usina de Cubatão, em São Paulo

Luiz Alexandre Souza Ventura, especial para O Estado

30 de outubro de 2015 | 02h01

Funcionários da Usiminas em Cubatão, litoral sul de São Paulo, receberam com surpresa o anúncio feito pela empresa na quinta-feira, sobre a paralisação temporária das atividades de produção de aço. "Na verdade, nós estamos apavorados, porque são mais de 3 mil empregos que podem ser eliminados de uma vez", diz Claudinei Rodrigues Gato, funcionário há 19 anos. "Só na minha família três pessoas trabalham para a empresa e, na minha casa, meu salário é a única renda", diz o trabalhador, que mora em São Vicente com a mulher e a filha, de 12 anos.

"Nós carregamos essa empresa, tocamos o trabalho 'na mão', com nosso suor, mas isso não é valorizado pela companhia", afirma Elton Luiz Ribeiro da Conceição, de 55 anos, operador de produção da aciaria 2, e que trabalha na empresa há 35 anos. A renda do operador é a única da família, que também mora em São Vicente. "Essa situação só piora o clima na empresa, que não é bom faz tempo, o que aumenta o risco de acidentes, porque o trabalhador precisa de concentração."

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Baixada Santista, Florêncio Resende de Sá, diz que os trabalhadores ainda estão "digerindo" a informação divulgada na quinta pela empresa. Ele lembra que a unidade da Baixada Santista emprega 10 mil pessoas, e que o setor a ser desativado responde por 80% da fábrica.

De acordo com informações da empresa, serão paralisadas as áreas de sinterização, coquerias, altos-fornos (um dos quais já tinha suas atividades paralisadas desde maio de 2015) e aciaria. "Esse anúncio foi feito sem qualquer planejamento de quando ou como será executado. A empresa quis saber qual seria a reação da população", diz Resende de Sá.

Justiça. O Tribunal Regional do Trabalho da 2.ª região anunciou na quinta a decisão de obrigar a Usiminas a pagar o dissídio dos trabalhadores da unidade de Cubatão, atrasado desde abril, suspender todas as demissões previstas, além de determinar a reintegração dos funcionários dispensados após o início das negociações coletivas, também em abril, e estabelece 90 dias de estabilidade a todos os empregados. A decisão é assinada pelo desembargador Francisco Ferreira Jorge Neto.

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