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Anúncio de plano anticrise seguiu roteiro político

Governo cortou impostos um dia depois da reunião do Copom e na véspera de divulgação da carga tributária

Adriana Fernandes, O Estadao de S.Paulo

12 de dezembro de 2008 | 00h00

A divulgação do pacote tributário e fiscal, ontem, seguiu um roteiro político previamente definido. Propositalmente, o Ministério da Fazenda correu para dar uma notícia positiva, o pacote de bondades pró-classe média, na quinta-feira, entre duas notícias negativas - a manutenção dos juros altos, anunciada na quarta pelo Banco Central, e a subida da carga tributária em quase 1,3 ponto porcentual do PIB, ontem. "O timing foi esse'', admitiu um assessor do ministro da Fazenda ao Estado. O ministro Guido Mantega (Fazenda), determinou à Receita Federal que esperasse para divulgar o resultado da carga tributária do ano passado somente nesta sexta para esfriar as pressões e as críticas dos empresários e trabalhadores. A carga de 2007 cresceu, apesar do fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Com o pacote de quinta-feira, o governo expôs a "cara desenvolvimentista" de Mantega. É o "jeito Mantega'', como definiu outro ministro, empenhado em administrar as expectativas no primeiro trimestre de 2009 para não deixar o pessimismo comprometer o ânimo dos empresários em investir e dos brasileiros em consumir. Até agora, as medidas anticrise haviam sido emergenciais, concentradas na área financeira, sob o comando do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e estavam voltadas para administração da crise no curto prazo. Segundo um assessor da Fazenda, o governo iniciou com o pacote de quinta-feira um "segundo" grupo de medidas, classificadas de "pró-ativas", e voltadas para o médio e longo prazos dos efeitos da crise na economia real. A terceira fase, que, na prática, já está em execução, é a "batalha das expectativas" para que o pessimismo não contamine a economia, criando um círculo vicioso negativo. O temor é de que nesse cenário ocorra o seguinte: o empresário reduz o investimento esperando o pior e demita por antecipação. As pessoas põem o pé no freio no consumo, temendo o futuro, reduzindo o mercado interno e o crédito, que são os motores do crescimento econômico. Por isso, a necessidade de sinais "pró-crescimento". A sinalização de queda de juros, dada no comunicado do Copom, também integra essa estratégia.

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