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'Anúncio mostra 'upgrade' do setor dentro do governo'

Para o coordenador do GV Agro, apesar das taxas mais altas, Plano Safra é positivo e indica prestígio de Kátia Abreu no governo

Entrevista com

Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura

GUSTAVO PORTO, CORRESPONDENTE, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2015 | 02h06

RIBEIRÃO PRETO - O aumento de 20% no volume de crédito do novo Plano Safra em tempos de ajuste fiscal mostra a importância do setor agropecuário e o "prestígio da ministra Kátia Abreu dentro do governo", disse o coordenador do GV Agro, Roberto Rodrigues.

O sr. considerou positivas as medidas do Plano Safra 2015/16?

Sem dúvidas, foi melhor do que eu esperava. Estamos vivendo um momento complicado no Brasil, de ajuste fiscal, com todos os segmentos sendo apertados em suas demandas. Há uma redução permanente de recursos de crédito e aumento da taxa de juros. No entanto, para o agronegócio, o anúncio feito pela presidente Dilma Rousseff é de aumento. Isso mostra um 'upgrade' do agronegócio dentro do governo e principalmente o prestígio da ministra Kátia Abreu dentro do governo - nesse momento complicado, ela conseguiu aumentar o volume de recursos. É bem verdade que os juros aumentaram suficientemente também, mas o salto do volume de recursos é importante. O Plano Safra pode significar melhoria da imagem do governo junto ao agricultor. Mas, tudo vai depender do que vai acontecer daqui para a frente; uma coisa é o anúncio, outra é a liberação em tempo hábil.

Os juros a até 8,75% ao ano são satisfatórios, tendo em vista a taxa atual Selic e a inflação?

É muito positivo. Agora, é preciso lembrar que uma boa parte dos recursos também virá do crédito convencional, a taxas livres, e aí pode ser que a média fique acima disso - mas seguramente abaixo da Selic, a quase 14%. Os juros sobem 40%, 50% em relação ao ano passado, o que é um peso; mas, de maneira geral, o plano é positivo. A coisa menos positiva é a questão do seguro rural, que teve um volume de recursos orçados menor do que no ano passado.

O governo também reduziu de R$ 44 bilhões para R$ 33 bilhões o volume de investimentos. Isso pode afetar quais áreas?

Neste ano, as compras de máquinas agrícolas não chegaram a 70% das do ano passado. Os produtores estão preocupados: os custos de produção subiram e os preços agrícolas estão caindo. É um cenário de margens mais estreitas - e eventualmente até negativas em algumas regiões do País, por causa de logística e infraestrutura. Os produrores estão investindo menos, precisam colocar as barbas de molho e não dar passos maiores que a pernas. Não acredito, porém, que a redução do volume de investimentos seja uma coisa muito séria. Certos segmentos, como por exemplo o setor sucroenergético, demandam mais atenção do que as commodities principais, e aí sim precisaria haver alguma coisa mais específica na área de investimentos.

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