Anúncio polêmico de megacampo no Brasil agita bolsas no mundo

Ações de empresas ligadas ao setor petrolífero disparam em Londres, Paris, Lisboa, Madri e até em Oslo

Nova York, O Estadao de S.Paulo

16 de abril de 2008 | 00h00

A possível descoberta de mais um megacampo de petróleo na Bacia de Santos, no litoral brasileiro, influenciou bolsas de valores de grande parte do mundo ontem. Ações de empresas que estão direta ou indiretamente ligadas à área exploratória conhecida como Pão de Açúcar/Carioca dispararam em diversos mercados. Na segunda-feira, o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, declarou, durante seminário no Rio de Janeiro, que essa área pode ter 33 bilhões de barris de petróleo. Se esse número for confirmado, seria o terceiro maior campo do mundo, atrás apenas de Ghawar, na Arábia Saudita, e Burgan, no Kuwait. Em novembro do ano passado, a Petrobrás anunciou a descoberta da megajazida de Tupi, também na Bacia de Santos, com reservas estimadas entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris."Isso (a possível nova descoberta no Brasil) desmentiria avaliações segundo as quais vamos ficar sem petróleo e, por isso, teremos de mudar nosso estilo de vida", afirmou o diretor-executivo do banco de investimentos em Nova York Natixis Bleichroeder, Roger Read. Na Bolsa de Londres, os papéis do BG Group avançaram 5,4%. A companhia britânica tem 30% de participação no campo de Pão de Açúcar/Carioca, ante 45% da Petrobrás e 25% da Repsol. As ações da empresa hispano-argentina, aliás, subiram 9,28% na Bolsa de Madri. Ao menos três outras corporações estrangeiras tiveram o desempenho nas bolsas influenciado pela notícia do Brasil. As ações da portuguesa Galp valorizaram-se 7,9% na Bolsa de Lisboa. A companhia é parceira da Petrobrás em Tupi. Os papéis da fornecedora francesa de equipamentos Vallourec tiveram alta de 2,54% na Bolsa de Paris. Segundo analistas, o desempenho deveu-se à expectativa de que a empresa consiga novos contratos de venda para exploração no litoral brasileiro.A notícia sobre o campo repercutiu até na Noruega, onde as ações da fornecedora de equipamentos Seadrill se valorizaram 2,8% - maior nível desde que abriu o capital na Bolsa de Oslo, em 2005. Segundo a agência Bloomberg, a Seadrill ganhou contratos no valor de US$ 4,1 bilhões para venda de maquinário para exploração no Brasil. Os papéis da Petrobrás mantiveram a tendência de alta iniciada na segunda-feira. As ações ordinárias (ON) avançaram 0,68% e as preferenciais (PN), 1,17%, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Os recibos de ações (ADRs) da estatal brasileira na Bolsa de Nova York seguiram o mesmo caminho. Os ordinários subiram 0,75% e os preferenciais, 1,12%.As ações da Petrobrás também avançaram no mercado Latibex, que reúne empresas latino-americanas cotadas na Bolsa de Madri. Os papéis da estatal brasileira dispararam 10%, e fecharam cotados por 38,60. Apesar do otimismo, alguns analistas adotaram tom cauteloso. "O desenvolvimento dessas reservas representa um desafio enorme", alertou o analista Mattew Shaw, da consultoria escocesa Wood Mackenzie. "Não é uma descoberta na Arábia Saudita, onde se conectam os canos e se inicia a produção. Será muito caro e tomará muito tempo."MAIS UM RECORDEOs contratos futuros de petróleo atingiram ontem novo recorde. Em Nova York, o barril para entrega em maio subiu 1,82%, para US$ 113,79. Segundo analistas, a valorização deveu-se à notícia de que o México fechou três portos de exportação. AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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