Anúncio teve pouco impacto na Bolsa

O anúncio de que o poço de Libra tem capacidade de até 15 bilhões de barris, feito ontem pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), teve pouco impacto sobre as ações da Petrobrás. No modelo de partilha - ainda não aprovado pelo Congresso - a estatal terá participação obrigatória de 30%, no mínimo, na exploração da área. O mercado já havia reagido antes do anúncio oficial, elevando a cotação das ações e ontem o preço dos papéis já levava em conta o novo cenário.

André Magnabosco, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2010 | 00h00

A cotação chegou até a cair, com a notícia em parte requentada, fechando o pregão em baixa de 1,22% (ações preferenciais) e 0,87% (ordinárias). "Já havia no mercado um rumor sobre o possível anúncio de uma grande reserva", comentou o analista chefe da Banif Corretora, Oswaldo Telles, referindo-se à boataria que fez subir as ações da companhia nos dias anteriores.

Entre os rumores que circularam durante a semana estava a possibilidade de uma descoberta de grandes dimensões em área já explorada pela Petrobrás. O anúncio de ontem, entretanto, limitou-se a Libra, área ainda pertencente à União. O analista da Geração Futuro, Lucas Brendler, lembra que o relatório da certificadora Gaffney, Cline & Associates (GCA) apontava estimativas semelhantes aos números divulgados ontem.

O material elaborado a pedido da ANP para o processo de capitalização da Petrobrás indicava que as reservas de petróleo em Libra oscilariam entre 3,65 bilhões e 15,07 bilhões de barris. A perspectiva considerada mais provável apontava 7,91 bilhões.

O número atual apenas representa um arredondamento da estimativa anterior. "O fato é que antes não havia poço para confirmar se havia ou não petróleo", destacou Brendler, apontando essa como a principal novidade. "O anúncio não trouxe nada de novo para a Petrobrás. Por isso, o efeito deveria ser neutro para a ação", completa o analista.

O analista Osmar Camilo, da Socopa Corretora, destaca que a exploração de Libra ainda está associada a diversos pontos, incluindo alguns ainda indefinidos, como a aprovação do sistema de partilha pelo Congresso. Com a definição da parte que caberá à Petrobrás como operadora dos blocos será possível ter uma visão mais clara de qual será a representatividade das novas descobertas para a Petrobrás.

Também será possível delimitar o custo de exploração dessas novas áreas para a estatal, uma vez que o modelo de leilão do pré-sal prevê que o consórcio vencedor seja aquele que garantir o maior volume de petróleo à União, representada pela Pré-sal Petróleo S.A. (PPSA), o chamado profit oil. "Se alguém vier com profit oil muito alto, a Petrobrás será obrigada a acompanhar", diz o analista do Banco do Brasil Banco de Investimentos, Nelson Rodrigues de Matos.

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