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Anvisa interdita 1 milhão de litros de agroquímicos da Syngenta

Segundo o órgão, irregularidades e adulterações foram encontradas em fiscalização na unidade em Paulínia (SP)

Gustavo Porto, da Agência Estado,

05 de outubro de 2009 | 15h24

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou nesta segunda-feira, 5, ter interditado cerca de 1 milhão de litros de agroquímicos com irregularidades e adulterações na fábrica da Syngenta em Paulínia (SP). Segundo o órgão, os problemas foram encontrados após fiscalização da Anvisa, realizada semana passada na unidade. A ação durou três dias nas instalações da empresa, apontada como a líder brasileira e mundial em vendas de defensivos, e contou o apoio da Polícia Federal.

 

Por meio de uma nota, a Syngenta confirmou a ação do órgão entre quarta-feira (30) e sexta-feira (2) da semana passada. "A companhia já está providenciando a adequação ou a defesa pertinentes, de acordo com o caso. Estamos tomando todas as providências necessárias para assegurarmos que não haja prejuízos aos nossos distribuidores e milhares de clientes", informou.

 

Cerca de 600 mil litros eram de agroquímicos e componentes com datas de fabricação e de validade adulteradas. De acordo com a Anvisa, esses produtos não poderão ser utilizados ou comercializados até que se restituam as datas verdadeiras de produção e de validade.

 

A empresa foi autuada por destruição total das etiquetas de identificação de lote, data de fabricação e de validade do produto Flumetralin Técnico Syngenta, o qual foi interditado. Vários lotes do mesmo produto também foram interditados por apresentarem certificado de controle de impurezas sem assinatura, sem data da avaliação ou com data de realização anterior à produção do lote analisado.

 

A Anvisa informou que o controle de impurezas no Flumetralin Técnico é obrigatório, pelo fato de essas impurezas terem reconhecidamente um potencial cancerígeno e capazes de provocar alterações hormonais. Também foram interditados todos os lotes do produto PrimePlus, formulados com os lotes interditados do Flumetralin Técnico.

 

Outro produto interditado com o certificado de análise sem assinatura e sem a quantidade real de ingrediente ativo foi o Score Técnico. Já agroquímico Verdadeiro 600 teve as embalagens interditadas por confundir o agricultor quanto ao perigo do produto. Apesar de ser da classe toxicológica mais restritiva, as cores dos rótulos do referido agrotóxico induziam o agricultor a concluir que o produto poderia ser pouco tóxico, de acordo com a Anvisa.

 

Ainda segundo a agência de vigilância, a Syngenta também foi autuada por venda irregular do defensivo Acarmate (Cihexatina), pois, segundo a fiscalização da Anvisa, o produto, com venda restrita a São Paulo, era comercializado para outros Estados. A empresa foi notificada, ainda, a efetuar alterações no sistema informatizado que possui para poder controlar efetivamente, lote a lote, a quantidade dos componentes utilizados nos produtos. Em até 30 dias, a empresa está sujeita a nova fiscalização para verificação do cumprimento das condições estabelecidas na notificação.

 

A Anvisa informou que a Syngenta está sujeita a multa de até R$ 1,5 milhão, além do cancelamento dos informes de avaliação toxicológica dos produtos em que foram identificadas as irregularidades. Em caso de possibilidade de outras infrações além das administrativas, a Anvisa encaminha representação à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal para possível investigação criminal.

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