AFP PHOTO/NICHOLAS KAMM
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Ao Congresso dos EUA, Yellen reforça sinal de que juro pode subir ainda em dezembro

Presidente do banco central americano repetiu discurso de que a economia dos Estados Unidos está com desempenho satisfatório e disse que alta do juro este mês é uma 'opção viva'

O Estado de S. Paulo

03 Dezembro 2015 | 14h19

Texto atualizado às 15h26

WASHINGTON - A presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, afirmou que o crescimento econômico fraco de outros países e a força do dólar levam o banco central norte-americano a adotar cautela em relação à alta nos juros. Yellen disse que as taxas de juros devem subir lentamente nos meses adiante, também por causa das políticas monetárias divergentes entre os EUA e outros países. Segundo ela, uma alta da taxa de juros em dezembro é "uma opção viva".

Em discurso no Comitê Econômico Conjunto do Congresso, Yellen indicou que o Fed está pronto para elevar os juros neste mês, porque a economia doméstica tem melhorado. "Acho que estamos muito perto do pleno emprego", avaliou. Mas o cenário global faz com que ela e os outros diretores não adotem nenhuma conduta agressiva para além disso. Ela apontou que o risco geopolítico é um fator por trás da cautela das famílias.

Yellen respondeu a perguntas dos congressistas. A presidente do Fed reforçou que espera que o processo de elevação nos juros seja gradual, também por causa do dólar forte. Ainda de acordo com Yellen, a primeira alta nos juros não sinalizará um ritmo predeterminado para as altas seguintes.

O Fed se reúne em 15 e 16 de dezembro e a expectativa dos investidores em geral é que decida elevar os juros. Em boa parte de sua fala, Yellen ressaltou a força da economia doméstica, apontando, por exemplo, os gastos dos consumidores e o investimento das empresas. Yellen disse que espera um aumento na pressão sobre os salários, conforme a economia melhora, o que pode apoiar a decisão de elevar os juros. A presidente do Fed avaliou que as expectativas de inflação estão bem ancoradas, o que fortalece sua confiança de que a inflação retornará à meta de 2%, conforme os efeitos dos preços de energia e dos preços de importados perca força.

Yellen comentou ainda um projeto do Partido Republicano, a partir do qual os oposicionistas pretendem impor algum grau de supervisão sobre o BC dos EUA. Na avaliação dela, isso é "uma ameaça para a independência do Fed". 

Influência europeia. O anúncio do programa de estímulos abaixo das expectativas do mercado pelo Banco Central Europeu (BCE) e a subsequente apreciação do euro abriram espaço para que o Fed eleve as taxas de juros básicos nos EUA, segundo Bill Adams, economista-sênior do PNC Financial Services Group.

Para o economista-chefe da RBC Global Asset Management, Eric Lascelles, o anúncio do BCE "não afeta o Fed de forma concreta". Por um lado, a política do banco europeu fortaleceu o euro e enfraqueceu o dólar, "o que pode ser um apoio para a elevação de juros neste mês", disse. "Mas a zona do euro é um grande parceiro comercial dos Estados Unidos e o Fed quer ver estabilidade nas condições financeiras dos mercados. Então, no todo, a decisão do BCE não muda muito a equação", concluiu. Fonte: Dow Jones Newswires.

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