Ao lado do porto, uma cidade fantasma

Construída para servir de base ao porto de Yangshan e à área de processamento industrial e livre comércio ligada ao projeto, a nova Cidade de Lingang é uma das inúmeras evidências de que os planejadores chineses nem sempre acertam em suas decisões de investimentos.

Cláudia Trevisan, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2011 | 00h00

Com desenho circular e espalhada ao redor de um imenso lago artificial, a cidade tem capacidade para 500 mil habitantes, mas está praticamente deserta. Nas amplas avenidas, os semáforos mudam de cor, apesar de os carros serem raros, e os jardins estão floridos e impecáveis, ainda que poucos os apreciem.

A estimativa do governo é que apenas 15% da cidade esteja ocupada. Em 2012, a situação pode mudar, com a chegada de uma linha de metrô que ligará Lingang a Xangai, a 50 km de distância. A extravagância é um dos efeitos colaterais do excesso de liquidez na economia chinesa, que muitos analistas consideram como a origem de projetos de investimento que nem sempre são viáveis. Como Lingang, há várias outras "cidades fantasmas" na China.

Os otimistas sustentam que esses empreendimento podem não ser necessários agora, mas logo serão ocupados pela demanda decorrente do processo de urbanização do país, que ainda tem metade de sua população na zona rural.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.